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Eterno, por Marco Nespoli

Queria escrever algo sobre o Parque Antárctica. É difícil. Foram tantas alegrias, tantos choros, tantos gols, a fila, a Libertadores, vitórias épicas, derrotas humilhantes, golaços, frangos, brigas, abraços…

A arquibancada que tanto ensinou foi substituída por cadeiras retrateis. O cimento não existe mais. Mas quis o destino que um pedaço – físico – do antigo Palestra tenha sobrevivido. A nova arquibancada da Matarazzo foi construída sobre a antiga ferradura. Um pedacinho dele ainda está lá. Vivo. Para sempre.

Lembro-me que assim que as obras iniciaram, um dia tive a oportunidade de ficar sozinho na arquibancada – a que sobreviveu. O estádio quase que totalmente derrubado. Naquele momento um filme passou na minha cabeça. O silêncio era ensurdecedor, podia escutar a massa que canta e vibra. Parecia que eu estava junto a 35 mil dos meus. Pude relembrar vários dos momentos que o Palestra proporcionou. Começou uma fina garoa, daquelas que só acontecem em jogos, no frio, das quartas a noite, como amanhã. Continuei lá, olhando e imaginando como seria minha volta. A nossa volta. A volta de um povo para sua terra.

Em poucas horas voltaremos para casa. Para aquele que sempre foi um caldeirão. A casa que tanta falta nos fez nesses longos quatro anos. Não podia existir hora melhor. O Palmeiras sente falta do Palestra. O Palmeiras precisa do Palestra. O Palmeiras é o Palestra.

Que amanhã seja o reencontro do Palmeiras com sua grandeza.

E estarei, como quis o destino mais uma vez, na arquibancada que tem um pedaço do Palestra.

Torcida realiza procissão para São Marcos de Palestra Itália

Um ato de fé. Assim pode ser definida a mobilização popular organizada pelos torcedores palmeirenses em homenagem ao goleiro Marcos, um dos maiores ídolos da história da Sociedade Esportiva Palmeiras, que acontece no sábado (14 de janeiro).

“A ação consiste numa procissão que terá como trajeto a Rua Turiassu  até a Praça Charles Miller, no estádio do Pacaembu. É um ato ecumênico. Todos, palmeirenses  ou não, que receberam ou foram ungidos pelos milagres de São Marcos de Palestra Itália estão convidados à participar dessa grande festa”, disse Felipe Giocondo, um dos organizadores do evento.

Bandeiras, bandeirão, cartazes, faixas, escola de samba, trio elétrico e personalidades são algumas das ações que visa pintar de verde e branco as ruas da Zona Oeste da cidade. “Além disso, teremos algumas surpresas. O Marcos merece todas as homenagens de nós torcedores. Isso é o mínimo que podemos fazer por um jogador que fez muito por nós e pelo nosso querido Palmeiras. Em 2012 faremos um ano todo de festa e celebração para o nosso maior ídolo. O ano de 2012 será lembrado no futebol como o ano de ‘São Marcos’, nosso eterno e imortal camisa 12”, enfatizou Giocondo.

Um pouco de ironia e provocação ao maior rival do Verdão também faz parte da festa. “Vamos mandar um convite para o Marcelinho Carioca, que foi uma das principais testemunhas – se não a maior – dos milagres de São Marcos”, conclui Giocondo, relembrando o pênalti cobrado pelo atacante corintiano e defendido pelo goleiro palmeirense em 2000, que causou a eliminação do time alvinegro na fase semifinal da Taça Libertadores da América. Beatificação

A mobilização  também tem um teor de reivindicação. Os torcedores palmeirenses organizam documentos para iniciar o processo de beatificação do goleiro. “Já consultamos algumas pessoas para nos auxiliar no processo de beatificação. Estamos organizando todos os documentos necessários para iniciarmos esse processo de nosso santo milagreiro. Pelas nossas contas, temos cerca de 18 milhões de depoimentos que evidenciam os seus milagres. Nenhum outro santo teve tantos testemunhos de fé”, enfatiza Giocondo, em alusão ao número de torcedores palmeirenses espalhados pelo mundo.

12 mandamentos de São Marcos de Palestra Itália

1- Não serás desleal com teu adversário 2- Jamais se curvarás e lutarás, por toda a sua vida, contra os malefícios dos Corinthios Gambáticos da Marginal Sem número 3- Não te  sentirás melhor do que ninguém 4-Honrarás teu manto alviverde, como a ti mesmo 5- Amarás ao Palmeiras  sobre todas as coisas 6- Carregarás em suas mãos os corações dos milhões de torcedores palmeirenses 7-Não trocarás teu amado clube por trinta dinheiros 8-Despertarás o respeito da torcida adversária 9-Elogiarás teu  próximo sem esperar retribuição 10-Liderarás teu grupo mantendo a amizade e o respeito de todos 11-Não vestirás outra camisa que não seja o manto sagrado esmeraldino do Palmeiras 12- Defenderás a meta palmeirense com todo o fervor de sua alma palestrina!

12 milagres de São Marcos de Palestra Itália

16/5/1992 – Estreia na equipe profissional. Vitória por 4 a 0, no amistoso diante da Esportiva de Guarantiguetá, no estádio Dario Rodrigues Leite
22/7/1992 – Campeão Paulista sub-20. Vitória diante do Botafogo de Ribeirão Preto, no estádio Santa Cruz, por 3 a 2
19/5/1996 – Defende o primeiro pênalti como goleiro da equipe profissional, em partida válida pelo Campeonato Paulista diante Botafogo de Ribeirão Preto, no estádio Palestra Itália
10/10/1996 – Reserva de Velloso, é convocado pela primeira vez pelo técnico Zagallo para a seleção brasileira
5/5/1999 – Nasce o mito São Marcos. Diante do Corinthians, na primeira partida válida pelas quartas de final da Taça Libertadores, faz uma atuação espetacular, opera verdadeiros milagres, garante a vitória palmeirense por 2 a 0 e é batizado pela mídia e torcida com o apelido de São Marcos
12/5/1999 – No jogo de volta das quartas de final da Taça Libertadores, após derrota para o Corinthians por 2 a 0 no tempo normal, defende a cobrança de pênalti de Vampeta e vê Dinei acertar a trave, classificando o Palmeiras para a próxima fase da competição
16/6/1999 – Na decisão da Taça Libertadores contra o Deportivo Cali (COL), diante da torcida palmeirense no estádio Palestra Itália, novamente em decisão por pênaltis, brilha a estrela do goleiro, sagrando-se campeão continental, após chute para fora do atacante Zapata. Nesse dia também é eleito o melhor jogador da competição
6/6/2000 – Palmeiras e Corinthians, mais uma vez, decidem vaga às finais da Taça Libertadores nas cobranças de pênaltis. Brilha a estrela do goleiro, que defende a última cobrança do ídolo alvinegro Marcelinho Carioca e garante o Palmeiras pela segunda vez consecutiva na final da competição
30/06/2002 – Sagra-se campeão da Copa Mundo como titular da seleção brasileira
20/1/2003 – Recusa proposta milionária do Arsenal da Inglaterra e é peça fundamental na volta do Palmeiras à elite do Campeonato Brasileiro, conquistando a Série B
4/5/2008 – Fecha o gol e sagra-se campeão paulista
12/5/2009 – Defende três penalidades diante do Sport, em plena Ilha do Retiro, e classifica o Palmeiras para às quartas de final da Taça Libertadores
Programe-se
O que: Procissão à São Marcos de Palestra Itália Quando: 14/1 (sábado), a partir das 11h Onde: Rua Turiassu (concentração em frente ao portão principal do Palmeiras) Como participar: Apenas compareça ao local, com camisa e bandeira do Palmeiras, de preferência Valor: Gratuito

AVANTI PALESTRA!

(texto do site oficial do Palmeiras e imagem emprestada do Verdazzo!)

Maluco na Argentina

Esse feriado fui com a patroa e um casal de amigos tirar uma onda em Buenos Aires.

Manto verde nas costas e vamo que vamo. Fui atrás da loja na Bombonera que tinha uma camisa da bateria da Mancha na parede, mas acho que estava fechada. Não achei o vídeo no Youtube, mas a foto da camisa tá nesses links (1 e 2) .

A única loja que estava aberta no quarteirão do Estádio era dum tiozinho que é uma figuraça. Quando entrei na loja ele falou, El Porco, El Porco! e foi logo me mostrar a miniatura da taça Libertadores com o símbolo do Verdão. Depois fui procurar e eis que o tiozinho surge no youtube zuando logo quem:

Ainda achei um chaveiro do Verdão vendendo no meio dos escudos dos times argentinos numa banca de jornal, onde comprei o Olé com o registro do protesto da torcida do River, dias antes do rebaixamento, na porta do Monumental.

Ainda tive tempo de ir a uma praça onde era Proibido Corinthianos, como sinalizava a placa:

 

No fim, a certeza de que na Argentina, todo mundo sabe quem é o Palmeiras, time dos mais respeitados, diferente de uns outros aí.

ADELANTE PALESTRA!

Fala, Maluco! Rogério Zagallo

O Maluco pelo Palmeiras tem a imensa honra de entrevistar Rogério Zagallo, o palmeirense e cineasta que dirigiu e produziu o filme Primeiro Tempo, que conta a história do Palestra Itália desde sua inauguração até o último jogo oficial antes da reforma que o transformará na Arena Palestra.

Zagallo dirigiu também o curta-metragem Juventus Rumo a Tóquio, filme que documentou a épica classificação do Juventus para a Copa do Brasil 2008, da qual eu participei (da classificação, não do documentário), na qualidade de hooligan juventino.

Resolvi mandar um e-mail para o Zagallo depois da última quinta-feira, quando fomos assistir Primeiro Tempo lá no Museu do Futebol (pra quem não viu o post, clique aqui).Além de parabenizar o trabalho primoroso, convidei o Zagallo pra uma entrevista e ele muito gentilmente aceitou participar do Fala, Maluco!

Nos e-mails que formaram a entrevista, uma frase do Zagallo talvez explique o porque vi boa parte do auditório do Museu do Futebol terminar o Primeiro Tempo com os olhos cheios de lágrimas: Sempre monto os filmes pensando numa fala do João Moreira Salles que diz que “o documentário é uma não explicação, é uma experiência sobre o mundo”, contar a história não seria o problema mas o mais difícil é sempre passar a experiência. Quando falamos de futebol isso é praticamente impossível, o jogo ao vivo sempre será mais emocionante, se estamos conseguindo levar um pouco desta experiência para o filme está ótimo.

Com vocês, parmeras, Rogério Zagallo, mais um Maluco pelo Palmeiras:

Zagallo com Evair, em exibição de Primeiro Tempo

Maluquinho – Como e quando surgiu a idéia de fazer o projeto Palestra Italia.doc?

Zagallo – Existia uma vontade antiga minha e de alguns amigos de faculdade de fazer um documentário sobre o Palmeiras. Mas sempre achei o tema muito amplo, uma história muito grande, faltava algo mais definido para fechar o tema principal do documentário. Aí, com a aprovação do projeto da Arena e posteriormente com a aproximação da despedida do estádio, surgiu a idéia. Documentar como era assistir um jogo no Palestra Italia, pra ficar mais dramático, o jogo seria o último jogo oficial. Não adiantava filmarmos um jogo amistoso, não seria a mesma coisa, queríamos documentar para os futuros palmeirenses como era um dia de jogo valendo no nosso querido estádio antes da transformação em Arena.

M – Você também dirigiu o excelente documentário Juventus rumo à Tóquio, sobre a épica classificação do Juventus da Móoca para a Copa do Brasil 2008. Qual o grande desafio de documentar a torcida numa partida de futebol?

ZO filme do Juventus é um projeto totalmente oposto ao do Primeiro Tempo, lá estávamos gravando algumas cenas de pesquisa para um futuro projeto quando um jogo surreal acontece. Naquele caso, não aconteceu direção, quem dirigiu nossos olhares foram a própria torcida e o roteiro fantástico do jogo. No caso do Primeiro Tempo é o oposto, o filme estava na cabeça, a ideia era simples, porém bem mais trabalhosa de ser documentada. O roteiro sempre esteve definido, filmar o Palestra Italia num dia de jogo do nascer-do-sol até o apagar dos refletores. Portanto, o desafio era muito mais de produção do que de direção. Como vou muito ao jogo, eu e a maioria dos cinegrafistas (também assíduos frequentadores do Palestra Italia) já sabíamos o que queriamos documentar. O fato do jogo ser à noite também ajudou, assim pudemos filmar vários momentos do dia e um fim de tarde espetacular. E como todo documentarista também precisa de sorte, 4×2 no placar foi a cereja do bolo. Se vocês lembrarem do momento que o time passava naquele época, o resultado foi bem excepcional, parecia que os jogadores sabiam que tinham que se despedir de forma honrosa do velho Palestra.

M – Apesar dos vários depoimentos de celebridades palestrinas em Primeiro Tempo, a platéia se emocionou muito com o depoimento da torcedora gaúcha que foi ao Palestra Italia pela primeira vez justamente no dia da última partida oficial no Estádio. Sem querer saber dos segredos da produção, foi difícil achar no meio de tanta gente um estreante no estádio, ou foi um lance de sorte?

ZSabíamos que existiria muita gente indo ao estádio para se despedir, portanto colocamos uma equipe nos arredores procurando estas histórias e filmando estes depoimentos.

Mas o depoimento da gaúcha Rosemeri é um achado excepcional, facilmente poderíamos não ter cruzado com ela naquele dia, mas felizmente isso aconteceu. Eu só assisti o depoimento dela na ilha de edição, naquele momento eu estava dentro do estádio fazendo algumas outras entrevistas para o filme. Mas imediatamente na sequência do dia o pessoal da equipe começou a falar dela, todos sabiam que tínhamos documentado uma história de amor ao Palmeiras e ao estádio muito única.

M – O que o palmeirense pode esperar do Segundo Tempo, que contará a história da transformação do Palestra na nova Arena?

ZAs filmagens já começaram, as tristes cenas de demolição são difíceis de serem vistas por nós palmeirenses, mas quando terminado o filme Segundo Tempo terá um efeito diferente do Primeiro.

Ele mostrará uma transformação já ocorrida e o início de um futuro promissor, a nostalgia existirá pelas histórias e imagens do passado mas a sensação de vazio, de falta de casa, que existe agora no torcedor palmeirense será substituída pela euforia dos jogos na nova Arena. E espero que com as cadeiras removíveis atrás dos gols, com a arquibancada possibilitando nós torcedores que gostamos de ver o jogo torcendo de pé. Esse detalhe eu considero fundamental para o sucesso da nova Arena.

M – O Palmeiras e a W. Torre estão apoiando a segunda fase do documentário?

Z – O Palmeiras e a WTorre estão apoiando o projeto autorizando as filmagens desta nova etapa.

M – Qual sua primeira memória de um jogo do Palmeiras que você viu num estádio de Futebol?

ZFoi um Palmeiras x Ponte Preta no Pacaembú, infelizmente não lembro do placar mas sim que teve uma grande correria por causa de briga na saída do estádio.

Na realidade, começo a frequentar o Palestra Italia só mais velho nos tempos da faculdade, já que minha família só tinha eu de palmeirense e morava na Zona Sul.

Depois quando casei escolhi um lugar muito especial para morar, a Vila Pompéia. Perder jogo no Palestra Itália ficou difícil.

M – Pra terminar, gostaria de mandar algum recado ao torcedor do Verdão?

ZParabéns por terem feito parte desse Primeiro Tempo da história do Palmeiras e vamos para o Segundo Tempo que ele está apenas começando.

AVANTI PALESTRA! 

14/09 a 20/09/1942 Dia do Palmeiras – Arrancada Heróica

Quase que por um acaso do destino, Palmeiras e São Paulo se enfrentam, neste domingo, 19, na mesma data em que foi disputado o primeiro jogo da Sociedade Esportiva Palmeiras contra os leonores. Este ocorreu no dia 20 de setembro de 1942 e foi não apenas o primeiro clássico mas também o primeiro jogo da história da recém nomeada Sociedade Esportiva Palmeiras, que acabou resultando, também, no título Paulista daquele ano, já que neste dia foi disputada a partida decisiva do Paulistão. Leia o resto deste post

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