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Posts sobre a gloriosa história da Sociedade Esportiva Palmeiras

NEM SEI POR ONDE COMEÇAR DE TANTO AMAR SEU MANTO SAGRADO

10407916_901224963262994_6551388491437544716_nO título desse post é, também, a primeira estrofe do samba que a Mancha Verde levou pra avenida este ano.

Digo também, porque foi exatamente assim que começou este blog, há quase 5 anos atrás: sem saber ao certo como falar da maior paixão que move este coração verde.

Desfilei a primeira vez em 2008. Gostei tanto que voltei em 2009, 2011, 2012, 2014 e sexta passada. E em 2013, não fui por conta de uma lesão no pé, mas mesmo assim não deixei de ir aos ensaios, muletas nas mãos, gesso no pé e o samba na ponta da língua.

Quando eu comecei a ir na Mancha, o osso já tava roído. Desde os tempos de bloco até os grupos de acesso, já tinha muita história que eu não conhecia, mas que eu aprendi a admirar e respeitar. Cheguei na fase do filé, a Mancha no Grupo Especial, desfilando no Anhembi – sim, nem todos os desfiles eram lá quando não se está na elite do Carnaval.

Em 2013, justo o ano que eu não pude ir, a Mancha sofreu o primeiro descenso desde sua chegada ao Grupo Especial do Carnaval. Pra mim, era mais um motivo pra querer participar no ano seguinte. E a escola decidiu justamente revisitar um tema que já havia sido enredo da escola noutros carnavais: a injustiça, esse tão conhecido substantivo pro palmeirense.

E assim fomos pro Anhembi no domingo de Carnaval buscar nosso retorno ao Especial, cantando do fundo do peito

O mundo não vai me calar
Injustiças não vão me deter
Da cinzas se renasce para a vitória
Na adversidade se aprende a crescer
São fatos que descrevem nossa história
O verde é a razão do meu viver

E a Mancha subiu. E chegou finalmente a vez de falar sobre a maior paixão de todo palestrino: o Palmeiras.

Eu não conheço nada de Carnaval. Nem nunca tive essa pretensão.

Mas eu conheço bem de Palmeiras, como todo bom palmeirense que é, por natureza, engajado, fanático, apaixonado pelo Verde.

E posso afirmar com a segurança de quem participou do desfile mas também assistiu de camarote toda a escola passar pela minha frente – saí na última ala -, que não poderia ter sido mais lindo ou emocionante pra qualquer palmeirense ver a história do Verdão ser transmitida ao vivo pra mais de 170 países, pra gente que, assim como eu, não entende nada de samba, mas ficou sabendo tudo de Palmeiras em 63 minutos de pura exaltação ao Palestra.

É óbvio que o resultado não foi o esperado. Mas também não surpreende que isso tudo que acontece com a Mancha tanto se assemelhe à história de lutas e perseguições que o Palmeiras sofreu em todas as esferas no século passado – e ainda sofre da mídia esportiva imunda – e que mesmo assim não o impediu de ser o campeão daquela porra toda.

Agora tenham uma certeza: o prazer de cantar e desfilar sua maior paixão no Sambódromo não há nota que um jurado safado possa medir, não há homem no mundo que possa avaliar ou valorar. Isso ninguém nunca vai tirar de quem pisou no asfalto do Anhembi e soltou a voz, ou cantou dos quatro cantos do mundo com olhos marejados em frente a tv:

Olê palestra!
Com raça venceu a perseguição
Olê palmeiras!
De fato o eterno campeão

[…]

De braços abertos vou me declarar
Eu amo você palmeiras
100 Anos de lutas e de glórias
Canta mancha verde guerreira

Pros amigos da escola que deram o sangue pra história do Palmeiras ser contada neste Carnaval, cabeça erguida, fizemos uma festa linda e não merecíamos essa palhaçada.

Pros rivais que possam se divertir com o descenso, meu silêncio, especialmente pra quem não faz a menor ideia do que é fazer parte da história do seu time contada na maior festa popular do Mundo.

E pros “palmeirenses” que comemoraram o resultado, voltem aqui no blog e leiam de novo o trecho do samba na próxima vez que vocês ficarem indignados que o Palmeiras for eliminado ou sofrer uma derrota com mais um erro grotesco da arbitragem… quem sabe um dia consigam entender,,,

De mim, ninguém tirará o prazer e a alegria que eu pude sentir na última sexta, ao lado dos meus, falando do meu Palestra querido. Resultado nenhum iria mudar isso e, sinceramente, o improvável título – porque nunca deixariam a gente ganhar falando de Palmeiras – não ia mudar em nada esse sentimento.

E no ano que vem estaremos lá de novo, podem apostar!

AVANTI @MANCHACARNAVAL!

#13junho2012 Eu fui!

IMG_7433Era a última semana do mês de maio.

O Palmeiras tinha passado pelo Atlético Paranaense e iria disputar, dali 20 e poucos dias, a semi-final da Copa do Brasil. O adversário era o Gremio, e o primeiro jogo seria no temido  Olímpico, o último do Palmeiras lá, diante da desativação premente do estádio.

Zunzunzum entre os amigos sobre se íamos ou não para Porto Alegre, até que, depois de uma rápida pesquisa na Internet, comprei o vôo da TAM, Congonhas – Salgado Filho, 13 de junho de 2012, 17:50 – 19:10.

Fui pro chat do grupo e postei a confirmação do e-ticket. Tava feito, iríamos para Porto Alegre. Em minutos, ou nos dias seguintes, os amigos foram comprando e montamos o efetivo do Bonde: 10 malucos e 1 maluca.

Explicar em casa, mulher grávida de 7,5 meses, que eu ia ver um jogo fora do Estado, não foi moleza. A santa sogra se dispôs a dormir em casa pra tentar salvar a lavoura caso os gêmeos decidissem nascer no dia 13.

E assim (não) passavam os dias até o confronto decisivo, com direito até, pelo Brasileiro, ao Palmeiras ir a Porto Alegre enfrentar o mesmo Grêmio; perdemos de 1×0 MUITO roubado, um pênalti absurdo do Gilberto Silva no Henrique não marcado a minutos do fim do jogo. Era só mais um elemento a pesar na vindoura decisão: a sempre temida arbitragem.

Na semana do jogo dava ânsia de ler a imprensa “esportiva”: o Palmeiras já tinha perdido, para alguns dos nobres jornalistas, nem precisava disputar a partida. O Grêmio vinha de oito vitórias consecutivas na Copa do Brasil, 30 e não sei quantos gols marcados, 3 sofridos (sei lá se são esses os números mesmo), não perdia no Olímico há 05 meses, enfim, não teríamos a menor chance na partida.

Felipão, que do alto de todos os defeitos possíveis e imagináveis, sempre foi um especialista em mata-mata, fechou os treinos e deixou todos sem saber que time iria a campo.

Chegamos a Porto Alegre 19:20, o aeroporto, assim como o avião, repleto de camisas verdes. Tínhamos que ir ao hotel, no Centro, antes de seguir pro estádio. Por sorte, encontramos uns amigos com um mini ônibus, com 11 vagas disponíveis. Fala sério!

Pisamos no hotel, 02 casais brigavam com o funcionário da recepção, havia tido um vazamento de água e nao tinha mais nenhum apartamento disponível. Pra eles, é claro. Pra gente, o Bonde da ZL já tinha feito os check-ins de todos os nosso quartos e conseguimos deixar as malas e seguir pro Olímpico.

No caminho, um puta trânsito infernal, já se aproximavas das nove e nada de chegar no Olímpico. Um mar de azul por toda a parte. E nós de camisa no peito, a torcida do Gremio é amiga, dizem, mas vai saber… Tenso.

IMG_3929Enfim paramos em frente ao portão destinado à Torcida visitante, P. 20, que estava praticamente tomado de azul. Sim, realmente, a torcida do Grêmio é amiga. Dividimos o mesmo boteco até a última Polar acabar. Mesmo sem qualquer indício de confusão, um PM gaúcho fez questão de atirar gás de pimenta nos palmeirenses. Típico..  Era hora de entrar no estádio.

Lá dentro, um estádio muito parecido na minha opinião com a Gaiola das Loukas, principalmente pela distância do gramado pra bancada. 96% azul, contra 2.000 de nós espremidos de verde num cantinho atrás do gol, mal dava pra andar. E apesar de ser junho em Porto Alegre, não era um dia frio. Lá fazia até um certo calor, principalmente na parte superior do espaço visitante, onde ficavam os banheiros e a lanchonete pra tentar tomar uma água. Enfim, um lugar inóspito, como deve ser todo setor da torcida visitante.

Pouco antes de começar, vimos a escalação: Bruno, Artur, M. Ramos, T. Heleno e Juninho; Henrique, Assunção, João Vitor e Daniel Carvalho, Luan e Barcos, uma formação nunca antes vista, principalmente pela presença de Henrique como falso terceiro zagueiro, fazendo a cabeça de área do primeiro volante. A grande novidade era a ausência de Márcio Araujo, que vinha fazendo partidas dignas de… Márcio Araujo.

E foi um primeiro tempo amarrado, tenso, o Palmeiras tentando segurar o Gremio a todo custo, mas atacava pouco, a aposta era por uma bola, por uma chance numa bola parada ou num – improvável – contra-ataque. Mas me lembro de, ao fim do primeiro tempo, estar muito preocupado. Estaria muito mais se tivesse visto – não me lembro – uma cobrança de falta de Fernando na trave, aos 43 minutos. Muita, mas muita raça, esse era o Palmeiras naquele 13 de junho. Mas era praticamente isso. Um time raçudo.

O segundo tempo veio e com ele, ia aumentando a esperança de voltar pra casa com um 0x0, resultado fantástico, comentávamos. E o relógio não saía do lugar, a angústia ia tomando conta e pra gente só restava gritar e empurrar o Palmeiras cada minuto mais: OLEEEEE, OLEEEEEEEEEEEE! CANTA AÊ!!!

Sem explicação lógica, o Palmeiras começou a tocar a bola como nunca antes se viu naquele ano e, com isso, começou a diminuir e controlar as investidas do Grêmio. Barcos, por duas vezes, quase marcou na etapa final. Mesmo assim, era quase incrível se pensar em uma vitória.

Daniel Carvalho, praticamente morto, saiu pra dar lugar a Mazinho, aos 40 minutos. O curioso dessa substituição é que estávamos atrás do gol do Vitor, justamente onde os jogadores do Palmeiras faziam aquecimento, e na hora que foi chamado um jogador do Palmeiras, quem correu pra entrar em campo foi o Marcio Araujo. 

Decepção geral ao nosso lado. Porra, o Marcio Araujo, não! Agora que o time jogou bem sem ele… De repente, o Marcio Araujo volta correndo pro lugar onde estavam os reservas, e foi o Messi Black pro jogo. O Bigode mudou de ideia! Genial! (Depois, fomos saber, o Felipão tinha chamado o “Mazinho”, e não o “Marcinho” – como ele era chamado pelo Bigode – nada de mágica, uma simples confusão…).

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E bastaram 2 minutos. Falta de Henrique no Rondinelly (que não foi, por sinal…) cobrada pelo Léo Gago, bola cortada pelo Barcos e contra-ataque puxado pelo Verdão, bola nos pés de Cicinho – que tinha entrado no lugar do Artur pouco antes – rolou pro Mazinho – primeiro lance dele – no meio da zaga, que bateu e venceu o Vitor por baixo. GOOOOL!!!! PUTA QUE PARIUUUU! 1×0!  Vamos ganhar, vamos ganhar caralho! Um silêncio ensurdecedor no Olímpico só era vencido por um uníssono LIBERTADORES!!!!! SOMOS DA MANCHA VERDE A MAIS TEMIDA!!!!! (ver no video abaixo, a partir dos 1:30.00).

mas não seria só isso. Tinha que ser mais. E Foi. Aos 45, Pará cavou uma falta e Heber Roberto Lopes marcou falta técnica pro Palmeiras. Na cobrança, a bola espirrada sobrou pro Luan na meia, que – acreditem – acertou um passe milimétrico e colocou Juninho na linha de fundo, que – ACREDITEM – acertou um cruzamento perfeito na cabeça de Barcos, e o argentino cabeceou com precisão, sem muita força, no contrapé do Vitor, e veio comemorar ali na nossa frente. 2×0!

Neste exato momento, quando eu acabava de gritar algo que mal podia se assemelhar com “goool”, fui atropelado pelo Diego Zupo, que desceu arrastando todos a sua frente, gritando, 8, 10 degraus abaixo… Tava todo mundo maluco! Lágrimas, risos, abraços, parecia final de Copa do Mundo, e era mesmo, nunca uma vitória foi tão improvável, tão duvidada, nunca menosprezaram tanto nossa camisa, nossa força! Que alívio do caralho, o jogo era nosso, assim como o título seria! Bambis ou Coritiba, ninguém ia nos segurar…

Fim do jogo mas a festa tava só começando. Durante os 40 minutos – ou mais, perdi a noção do tempo – que ficamos confinados dentro do estádio a pegada da arquibancada seguiu a mesma OLEEEEEEE, OLEEEEEEEEEE!!!!!!! CANTA AÊ!!! EU CANTO EU SOU PALMEIRAS ATÉ MORRER!!!!!! O vídeo abaixo não me deixa mentir:

Na saída do estádio, a torcida do Gremio esperava na porta, acreditem ou não- mas perguntem pra qualquer um dos que lá estavam – pra nos aplaudir. Nós tínhamos merecido, jogamos com o time os 90 minutos, aquela vitória também era nossa.

E saímos na noite de Porto Alegre, não sem antes sermos mantidos numa ruinha ao lado do estádio por mais bons 40 minutos – ou sei lá quanto tempo. De volta ao hotel, uns foram comemorar, outros dormir, alguns já foram direto pro aeroporto. Eu, liguei a TV e fui assistir o VT do jogo, queria ter certeza que o que eu acabara de vivenciar tinha mesmo acontecido.

IMG_3965No dia seguinte, no Salgado Filho, o Pepe Reale me pergunta: Qual vôo você está? To no das 9:15. Vc vai no voo dos jogadores. Era a cereja do bolo.

E foi no Salgado Filho que tiramos essa foto com o Betinho – 33, esse aí que aparece envolto numa áurea iluminado na imagem e que, algumas semanas mais tarde, iria desviar uma falta cobrada pelo Assunção pro fundo da rede do Couto Pereira e confirmar o 11.o título nacional do Verdão, o maior campeão de todos.

Acreditem, é a mais pura verdade! Tanto que o Rovaron foi ao Couto Perreira com nada menos que a camisa 33. Nós já sabíamos! AAHHAHAHAHAHA

Era pra fechar mesmo com chave de ouro. Inesquecível. Impagável. Inigualável. Sem exageros poéticos, mas nunca antes o Palmeiras foi tão Palmeiras, no sentido de calar a boca dessa gente maldita que insiste em desmerecer a força dessa camisa. Depois desse dia, tenho certeza que muitos Netos, Kfouris, Birners e etc vão pelo menos pensar duas vezes antes de desdenhar o Palmeiras. Bom, talvez eles não, mas outros com certeza…

O dia 13 de junho vai ficar marcado pra sempre na minha vida como um dos mais importantes de todos. Só perde pra ontem, 12/06, e dia 16/06. Como junho é o mês do Palmeiras, né? Mas #13junho2012 vai ficar marcado também porque eu tava lá. #Eufui!

E pra marcar a data, nada como o VT na íntegra que deixo pra vocês abaixo:

E com isso, marco o retorno do Maluco. Ainda não sei se vou ter paciência, tempo ou até mesmo vontade  de escrever sobre o time atual, que segue repleto de vagabundos e incompetentes. Mas já tá claro pra mim que não dá pra ficar sem falar do Verdão. Mesmo que seja só pra comentar com nostalgia nossos momentos mais marcantes. Afinal, o alviverde ressurgirá imponente, já dizia um amigo meu. Desculpem pela bipolaridade, mas nada disso deve ser estranho pra vocês…

AVANTI PALESTRA!

Há 20 anos (publicado originalmente como Há 18 anos…)

Aquele 12 de junho de 1993 foi um dos dias mais lindos na vida de um palmeirense.

Se bem que nem tudo foi fácil naquele dia. A derrota na semana anterior, o gol porco, o início de jogo nervoso, pegado, e os 16 anos sem conquistas (pra mim, eram 14) provocavam uma tensão fora do comum. Pelo menos até os 40 do primeiro tempo, quando saiu o gol do Zinho, o primeiro da sacolada que os Gambás ainda iam levar naquela tarde.

Segundo tempo e aquele baile em campo, dava até dó dos pebinhas. Aliás, não dava dó porra nenhuma. A gente queria era mais, se fosse 6, 7, nunca ia ser o bastante.

Quando o Matador guardou, de penalti, o quarto gol, já na prorrogação, olhei pro Rubão, meu tio, com uma cara de “o que eu faço agora?”. 14 anos e não sabia comemorar um título.

De lá pra cá isso mudou. Nos anos que seguiram aquele 12 de junho, não tinha pra ninguém, o Verdão passava o carro e faturava tudo. Mas nenhum time, nem o dream team de 96 ou o time campeão da América, fizeram este palmeirense tão feliz quanto Ségio, Mazinho, Antonio Carlos, Tonhão e 6, Sampaio, Daniel Frasson, Zinho e 10, Edmundo e Evair.

 A vocês (menos aos 2 traíras), o muito obrigado da nação palmeirense. Esse título a gente nunca vai esquecer!

EM 93, NÓS GANHAMOS O PAULISTÃO, FOI EM CIMA DOS GAMBÁS, FILHOS DA PUTA, 4X0 PRO VERDÃO!

AVANTI PALESTRA!

PS – O Maluco não voltou à ativa. Ainda temos um time muito vergonhoso para merecer qualquer comentário, repleto de vagabundos que não honram a camisa. Mas hoje é uma data inesquecível que merece registro, até mesmo num blog desativado.

Feliz dia do Palmeiras

O primeiro jogo da Sociedade Esportiva Palmeiras contra os leonores ocorreu no dia 20 de setembro de 1942 e foi não apenas o primeiro clássico mas também o primeiro jogo da história da recém nomeada Sociedade Esportiva Palmeiras, que acabou resultando, também, no título Paulista daquele ano, já que neste dia foi disputada a partida decisiva do Paulistão.

Muitos e mais renomados palmeirenses já tiveram oportunidade de contar, com maior propriedade, os fatos que serão a seguir reproduzidos. Vou contar o que eu sei e li a respeito.

Em primeiro lugar, há que se lembrar que em 1942 o mundo vivia as mazelas da 2ª Guerra Mundial. De um lado, os países do Eixo (Japão, Alemanha e Itália), do outro, as Forças Aliadas, de quem o Brasil fazia parte. Resultado: tempos de muita perseguição aos imigrantes italianos.

Em abril daquele ano, Getúlio Vargas promulga um Decreto em que proibia em qualquer entidade o uso de nomes relacionados aos países do Eixo, sob pena de perda de seu patrimônio. Essa possibilidade de emcampar para si todo o patrímonio do Palestra Itália fazia com que os dirigentes do então inexpressivo São Paulo, à época sem estádio, esfregassem as mãos.

A pressão política e desportiva persistiu mesmo após a troca do nome. A implicância se dava com a palavra [de origem grega] “palestra”, que ainda resistia no nome da recem criada S.E. Palestra de São Paulo.

Enquanto isso, a campanha do time era de causar inveja. Às vésperas de enfrentar o São Paulo, o Palestra contava com 18 jogos, somava 16 vitórias e apenas 02 empates. Marcara 61 gos e sofrera apenas 15. Uma vitória do verde confirmaria mais um título paulista.

No dia 14 de setembro, na semana que antecedeu o jogo do título, o diretor de esportes da cidade de São Paulo, em nome de “entidades superiores”, exigiu que o nome fosse mudado novamente, naquela que era a data limite para o atendimento ao Decreto-Lei de Vargas. E foi então que, naquela noite, o Palestra passou a ser chamar Sociedade Esportiva Palmeiras, excluindo-se o nome da palavra [grega] Palestra e a cor vermelha que compunha o uniforme em conjunto com o verde e o branco.

O que estava por vir, no dia 20 de setembro seguinte, eu empresto o texto de Miro Tavares que, com muito mais propriedade, narrou [texto integral em http://palestrinos.sites.uol.com.br/Palmeirenses/Cronicas_e_Hitorias/Miro-11.htm é leitura obrigatória]:

Chega-se finalmente o grande dia, o clima em toda a cidade de São Paulo não poderia ser diferente Todas as atenções estavam voltadas para o estádio do Pacaembu, que recebera um enorme público. Ao PALESTRA uma vitória garantia-lhe por antecipação o título Paulista de 42. E também toda a expectativa que acabou envolvendo as torcidas dos dois protagonistas: PALESTRA e São Paulo F.C. Sejam no campo esportivo ou político.

Para “apimentar” ainda mais a partida, fora colocado em disputa o “Troféu Campeoníssimo” (instituída pelo nosso adversário) entre o “trio de ferro” (PALESTRA, Corinthians e São Paulo) que com uma só conquista, ficaria de posse definitiva da equipe que fosse campeã. O referido troféu era uma enorme escultura em bronze em tamanho natural, retratando um jogador de futebol. Hoje, para a nossa alegria, ornamenta a nossa riquíssima sala das conquistas alviverdes. Chegou-se a pensar que aquela escultura que ali está, referia-se a algum atleta alviverde, mas é fruto de nossa laboriosa conquista de 42.

Aqueles “oportunistas e covardes”, ainda não se contentando em ver o PALESTRA, ter sido obrigado a mudar o seu nome, tentaram armar um clima totalmente hostil. A esquadra palestrina, assim que adentrasse o gramado do estádio Municipal do Pacaembu, naquela histórica tarde, seria recebida com uma estrondosa vaia, jamais endereçada a uma equipe de futebol no Brasil.

Sabendo do ardil são-paulino, os palestrinos tiveram a seguinte idéia: O oficial do exército brasileiro o Capitão Adalberto Mendes (3º vice-presidente), adentraria ao gramado juntamente com os jogadores alviverdes, ostentando uma enorme bandeira brasileira. Obs: A imagem de nosso glorioso PALESTRA-PALMEIRAS surgindo ao gramado com a bandeira nacional e o oficial do exército ficou perpetuado em pinturas, gravuras, fotos como: Arrancada Heróica… de 1942!

Como diz a introdução de nosso amado hino: “Quando surge o Alviverde imponente…” e adentra ao gramado do Pacaembu, todo o estádio silencia-se por alguns instantes. Ao invés de hostilidades e vaias, foram nossos atletas esmeraldinos, recepcionados e aplaudidos de pé, tanto pela a gente palestrina, como pelos contrariados são-paulinos. Pois, todos que ali estavam, perceberam, que tantos aqueles atletas alviverdes, como o clube que representavam, eram tão brasileiros, quanto a todos que ali se encontravam. Aqueles entusiastas italianos, assim como amavam a sua antiga Pátria, também, nutriam por aquela nova terra que os acolheu, um enorme carinho.

Mas ao iniciar a partida, aqueles jovens palestrinos em campo, não havia esquecido, dos que os perseguiram e o obrigaram a trocar o nome de seu amado “filho”. Os atletas alviverdes disputavam cada bola e defendiam a meta palestrina, como se fosse a própria vida.

Não demorou muito, e abrimos o placar aos 20 minutos de jogo, através do jogador Cláudio; 3 minutos depois, Waldemar de Brito, empata a partida 1 x 1. Partida nervosa, muito disputada, mas aos 43 minutos da primeira etapa, o PALESTRA, volta a ficar a frente do placar, através de Del Nero. O primeiro tempo termina 2 x 1 para a equipe palestrina.

Inicia-se o segundo tempo, que prometeria fortes emoções aos presentes no Pacaembu, pois a vitória garantia o título de Campeão Paulista ao PALESTRA ITÁLIA, e a equipe são-paulina, só a vitória interessava. Mas para a alegria da imensa massa palestrina, o glorioso alviverde, amplia o placar para 3 x 1, aos 14 minutos da etapa complementar, através do jogador Echevarrieta.

Os jogadores são-paulinos sentiam que nada conseguiram abalar o ânimo daqueles palestrinos. Então começaram a armar uma “farsa” naquela tarde no Pacaembu. Aos 19 minutos do segundo tempo, o árbitro Jaime Janeiro, expulsou de campo o atleta são-paulino Virgílio, após entrada desleal em Og Moreira e assinalou um pênalti a favor do PALMEIRAS.

Os jogadores tricolores recusaram-se a dar prosseguimento a partida, e após se reunirem no meio campo, decidiram sentar-se ao gramado, impedindo com isso a cobrança de pênalti e o prosseguimento da partida. Ou seja, fugiram da possibilidade de uma goleada iminente, pois sabiam, que se com 11 contra 11 as coisas estavam difíceis frente à equipe esmeraldina, tamanha era a disposição que os atletas alviverdes disputavam aquela partida, o que dirá com um atleta a menos.

Para a irritação de todos ali presentes, sejam atletas ou torcedores palestrinos, o São Paulo, resolveu “fugir” de campo, para que a vergonha não fosse ainda maior. O árbitro Jaime Janeiro aguarda o tempo regulamentar e dá a partida por encerrada. Para a alegria da imensa coletividade palestrina-palmeirense, seja presente no estádio, em toda a cidade de São Paulo, ou em qualquer lugar em que houvesse um torcedor palestrino, o glorioso, sofrido, perseguido, injustiçado, mas acima de tudo, AMADO PALESTRA ITÁLIA, sagrava-se CAMPEÃO PAULISTA DE 1942. Melhor ainda, que fora sobre aqueles que mais nos perseguiram naqueles idos de 1942.

Assim encerra-se mais uma página histórica da gloriosa saga alviverde, que desde o ano de 1914, abrilhanta o esporte no Brasil. Uma célebre frase poderia resumir o que foi a conquista do título Paulista de 1942.

“Morre  O PALESTRA LÍDER, e  nasce O PALMEIRAS CAMPEÃO ! ”

Muitos e muitos anos depois, em 2005, a Câmara Municipal aprovou e o Prefeito José Serra sancionou projeto de lei que estabelceu 20 de setembro o Dia do Palmeiras. Desde então, no jogo que antecede a data histórica, o time do Palmeiras tem entrado em campo repetindo o gesto dos campeões paulistas de 1942: Com a bandeira do Brasil em mãos, simbolizando e reencenando a “Arrancada Heróica”.E  ninguêm melhor que o próprio Capitão Adalberto Mendes pra contar essa magnífica passagem da nossa história.

Parte 1

Parte 2

Fontes: Site oficial do Palmeiras www.palmeiras.com.br e os levantamentos feitos pelo site www.palestrinos.com.br.

AVANTI PALESTRA!

adaptação dos posts de 14.09.2010 e 20.09.2010.

 

16 de junho de 1999

Não preciso lembrar o palmeirense do dia 16 de junho de 1999.

Todos nós sabemos.

O TÍTULO.

A AMÉRICA.

Ninguém maior que o Palmeiras.

Como a gente quer ver sempre.

Parabéns, palmeirense. Feliz 16 de junho.

AVANTI PALESTRA!

 

A Arrancada Heróica, por Capitão Adalberto Mendes

Ansioso que sou, já contei, no post do dia 14, a história da Arrancada Heróica e o porquê do dia 20 de setembro ser considerado o Dia do Palmeiras. Afinal, era o primeiro dia do blog e não me contive em contar logo esse fascinante episódio. Leia o resto deste post

14/09 a 20/09/1942 Dia do Palmeiras – Arrancada Heróica

Quase que por um acaso do destino, Palmeiras e São Paulo se enfrentam, neste domingo, 19, na mesma data em que foi disputado o primeiro jogo da Sociedade Esportiva Palmeiras contra os leonores. Este ocorreu no dia 20 de setembro de 1942 e foi não apenas o primeiro clássico mas também o primeiro jogo da história da recém nomeada Sociedade Esportiva Palmeiras, que acabou resultando, também, no título Paulista daquele ano, já que neste dia foi disputada a partida decisiva do Paulistão. Leia o resto deste post

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