Frate Menezes e a síndrome do peru

Em primeiro lugar, boa sorte Frate Menezes.

Sim, porque Mano é coisa de GAMBÁ. Aqui não será chamado assim.

Se era o meu preferido?

Então, pouco importa o que eu preferia, e por uma razão muito simples: eu, como a imensa maioria da torcida do Palmeiras, somos leigos.

Eu não estudo futebol. Acompanho como torcedor, os jogos do Palmeiras e dos outros que disputam o mesmo campeonato que o nosso.

Minha visão do que acontece em campo é, na maior parte das vezes, enviesada e parcial.

Não reflete, por vezes, o que de fato se passou em campo, embora muitos de vocês possam se identificar com o mesmo sentimento de torcedor, para ver qualidade onde não tem, pra ver roubo em lance normal de jogo, e pra crucificar meio time toda vez que o Verdão perde…

Não escrevi aqui, mas minha primeira reação quando o Bigode foi contratado em agosto do ano passado foi de preocupação.

Não imaginava, porque não acompanhava, que o Bigode iria chegar aqui e deslancharia em 4 meses o nosso décimo campeonato brasileiro, com uma mão amarrada nas costas, sem perder e calando a boca do mundo, inclusive a minha.

Se dependesse só de mim, possivelmente o Felipão não viria, e hoje seríamos só Enea.

E é este imediatismo da nossa torcida – e não só dela – em ter opinião pronta e formada sobre aboslutamente tudo que me chama atenção, e me incluo nessa nóia inexplicável de prejulgar absolutamente tudo ligado ao Palmeiras.

Talvez muita gente ainda estava chateada e emocionada com a saída do Bigode, que já era favas contadas, pelo menos para quem acompanha o Palmeiras de perto há pelo menos 20 anos.

E já se precipitaram a subir hashtag, a ameaçar cancelar o avanti, a abandonar os jogos, a não torcer mais e a prever todo tipo de tragédia e desgraça pra daqui até o fim do ano, caso viesse o Frate pro Palmeiras.

Difícil entender a insatisfação por ter vindo um treinador só porque, há uma década atrás, treinou o nosso rival. Nao pode ser só por isso…

Afinal, Luxemburgo voltou depois de passar por lá, Oswaldo Brandão, pra citar um mais antigo, mas foram diversos que passaram por lá e por aqui: Nelsinho Batista, Tite, Oswaldo de Oliveira, Candinho, Leão, Minelli, num total de 23 treinadores, segundo levantamento inútil, mais um, do PVC.

Mas o que leva então uma torcida a ter essa síndrome de peru de ceia de Natal tão aguda como a nossa?

Porque esse sofrimento precoce antes mesmo do cara chegar, treinar e conseguirmos ver de fato se a contratação foi errada ou não?

Eu não tenho a menor ideia e nem a pretensão de criar hipóteses pra essa patologia comum à maioria das torcidas, mas que no palmeirense parece ser ainda mais nativa e muito mais crônica.

Chega jogador, nem pisou na Academia, mas já tem uma parcela significativa da torcida garantindo que vai dar errado. Lembram do Roger Guedes?

Tinha cara falando que era um absurdo trazer jogador do Criciúma e no fim, era um mala da porra, mas foi importantíssimo pro título de 16…

Só pra citar um.

Isso sem falar naquelas contratações que acham fantasticas e no fim é um fiasco. Ricardo Goulart é o exemplo mais próximo.

Não esqueçamos também daquelas contratações dos rivais, que são absorvidas aqui como tragédias de “como deixamos passar” e no fim viram uns puta duns micos, graças a Deus, nos outros. Diego Souza, quando foi pro Bambi, foi uma choradeira só, e depois…

E já estão fazendo a mesma coisa com o Frate, e numa escala quase majoritária da torcida.

O que divide um pouco é que pra alguns o mundo acabou, e pra outros está em vigor o “eu nao queria, mas já que ele veio…”

Em ambos os casos, a síndrome do peru está presente, porque não há motivo lógico algum pra esse sentimento antecipado de rejeição que mais uma vez domina boa parte da nossa torcida, seja pra odiar, seja pra simplesmente tolerar o novo comandante.

Deixa o cara trabalhar. Já tá assinado e o nosso piti na rede social não vai muda uma vírgula. Se der errado, ai vamos reclamar.

E se der certo, fica economizada muita energia para comemorar os títulos que vierem.

Então, de novo, boa sorte ao Frate e, se começar a gambatear por aqui, daí sim a gente chama aquele volante do Barranquilla que exorcizou o BH, só pra testar um negócio.

AVANTI PALESTRA!

Publicado em 03/09/2019, em Geral. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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