E no Próximo Bloco…

hoje meus pequenos palestrinos têm 6 anos.

Já viram o time que eles torcem ganhar 4 títulos nacionais.

Frequentam um estádio de 1o mundo que tem até espaço kids com bomboniere gourmet.

Eles nem imaginam o que foi ser palmeirense 30 anos atrás, saindo do Palestra pelo fosso em destino à Turiassu, depois de um empate modorrento contra o América de Rio Preto, em que a única risada no rosto do garoto palmeirense, que nunca tinha visto o time ser campeão, vinha do coro obrigatório e uníssono, em frente às tribunas de – CHICO LANGGGGG VIADOOOOO!

Não existia um único torcedor dos times da Capital que ousava perder o pitoresco programa Mesa Redonda da TV Gazeta das noites de domingo.

Era quase que uma obrigação ver o Mesa, com Avallone, o gamba do Chico Lang, Márcio Bernardes, Mauro Beting – jovem e com os cabelos originais já em declínio, Fernando Solera, entre outros…

Os debates sempre acalorados davam a tônica perfeita da rivalidade entre os torcedores, porque ali ninguem escondia por trás do diploma de jornalista o time que torcia.

Numa época em que não existia TV a cabo, as TVs abertas dominavam o vazio esportivo deixado pelo Fantástico e a zebrinha do Leo Batista nos domingos à noite, mas nenhum formato que Record ou Band tentaram conseguia superar a fórmula cativante de discussão de boteco que o Mesa Redonda tinha.

Supertecnicos, terceiro tempo, um programa com o Vanucci que não lembro o nome, nada tirava a majestade do Mesa. Nao sei se nos números de audiência, mas na preferência do torcedor, era imbatível. Até arquibancada tinha…

E boa parte desse prestígio se dava pela irreverência caricata do seu principal apresentador, o cara de alguns dos bordões mais geniais que o futebol já teve.

Tanto é assim que são poucos os programas esportivos e de humor das rádios de hoje que não têm algum comediante imitando o Avallone com os seus “no pique” “exclamação”, “minha tia Dora”, “uma raposa felpuda de Palestra Itália me disse”, “um passarinho verde me contou” e tantos e tantos outros…

Até as publicidades pitorescas a gente não esquecia, tinha o 765 da Vulcabras, Fios e Cabos RRRRRReiplasss e o restaurante Alfama dos Marinheiros, como não lembrar?

Mesmo depois do “fim” do Mesa, e com o Avallone sumido por algum tempo, a memória do torcedor, pelo menos os da minha geração, nunca esqueceu aquele personagem ímpar do nosso futebol.

Recentemente, o Avallone aparecia de vez em quando no Sportv, como convidado, mas era só ele receber a palavra pra dominar completamente o programa. Era natural, quase que obrigatório, em meio a comentários polêmicos e uma memória de dar inveja em qualquer estudioso da história do futebol.

No Twitter, até ontem mesmo ainda se podia ver os pitacos numerados que fazia pontualmente sobre os jogos, daquele jeito dele, no pique.

A notícia do seu falecimento hoje trouxe uma grande tristeza. Foi como se aquele velho tio palestrino, que tanto ensinou sobre os tempos áureos e gloriosos da Academia, tivesse sido chamado pro próximo plano. Um dos poucos que não teve medo de defender as cores do seu time do coração diante de um meio predominantemente preenchido por torcedores do maior rival. Vai fazer uma puta falta, é mais um dos bons que se vai.

Que nesse próximo bloco. ainda tenha muito Palmeiras pra sua luz iluminar. Descanse em paz, mestre Avallone.

Publicado em 25/02/2019, em Geral. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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