Quase uma Década depois, a verdade?

– Apitei a falta antes da bola chegar. O Obina puxa o zagueiro e posteriormente o zagueiro puxa o Obina, que mesmo puxado fez o gol de cabeça. O jogo já havia parado. Se a televisão não pegou, é outro problema. Eu vi no campo

Portal Extra, 09/11/2009.

– Os meus auxiliares (José Antonio Filho e Marcelo Bertanha), na volta do intervalo, disseram que o Obina comentou com eles que os dois ficaram se agarrando. E disse ter puxado o zagueiro (na verdade o atacante Maicon) 

Portal Extra, 10/11/2009, citando entrevista dada à Folha de São Paulo.

– O Obina confessou que fez a falta. Tem uma rádio aqui em Porto Alegre que colocou essa fala do jogador, ele dizendo que segurou o adversário. No meu entendimento houve a infração e foi isso que apitei.

Apito Nacional, 21/01/2010.

‘Ele é um bom jogador. Além de tudo, muito honesto. Quando comete falta, como foi o caso do jogo contra o Fluminense em 2008 (na realidade, em 2009), ele mesmo veio ao microfone e disse que fez a determinada falta’

Portal Veja, 02/08/2012, citando declaração dada durante a transmissão pela Fox Sports de Palmeiras x Botafogo na Sulamericana.

Não contou a verdade nenhuma dessas vezes. E não sou eu que estou dizendo. Foi ele mesmo quem confirmou:

– Só mostram uma parte. Não foi escanteio (para o Palmeiras), era tiro de meta (para o Fluminense). Depois, foi cobrado o escanteio, o zagueiro afastou, deu rebote e o Obina fez. Apitei antes. Hoje, assumo que errei. Era tiro de meta, fiquei com a pulga atrás da orelha. O cara dá perigo de gol. Muitas vezes dá certo, essa não. Eu via a fita para ver onde errei. Vi que a gritaria era enorme. De fato, o lance era tiro de meta, foi um equívoco. Tentei acertar e acabei errando. Se acontece o gol, o outro lado iria reclamar, pois era tiro de meta

Uol Esporte, 30/04/2018, citando declaração dada durante o programa Jogo Sagrado, da Fox Sports. Falou a verdade.

Será? Como acreditar em quem contava uma verdade bem diferente dessa durante todos esses anos? Na mesma ocasião do programa da Fox Sports exibido na última segunda-feira, o ex-árbitro ainda disse que sabia que tinha errado logo na semana seguinte ao jogo, ou seja, antes de dar todas as declarações acima transcritas de 2009, 2010 e 2012.

Mas, principalmente, como reparar todo prejuízo causado ao Palmeiras? Sim, porque a confissão dada de livre e espontânea vontade pelo ex-apitador conteve ainda requintes de crueldade, como a admissão expressa de que a anulação do gol bom do Obina foi para compensar um suposto erro na marcação do escanteio no lance anterior.

O tal do perigo de gol. Aquela apitada “providencial” que todo juiz dá, para marcar uma falta de ataque inexistente, logo na sequência de um lance polêmico com muita reclamação da defesa adversária. É uma forma de corrigir um possível erro no lance anterior. 

Mas, relembremos, com as imagens, o que aconteceu naquele lance: primeiro, o lance do escanteio: falta cobrada na área do Fluminense, Obina cabeceia pra baixo, a bola sobe depois de desvio na zaga, e o escanteio é marcado. Um único jogador do Fluminense levanta a mão pra dizer que não teria sido escanteio.

a partir dos 28 mins. 

O jogo segue normal, o escanteio foi batido, a bola foi rebatida e somente no cruzamento seguinte é que o Obina, na frente do marcador, faz o gol absolutamente legal.

Vale lembrar, ainda, que a dúvida quanto ao suposto tiro de meta no lugar do escanteio só foi sugerida pela transmissão da TV no intervalo de jogo, e que nem mesmo o time do Fluminense reclamou na hora do lance – como disse acima, só um jogador levantou o braço e deixou o jogo seguir.

Era um lance de interpretação, e não um erro grave como agora se sugere, para justificar uma suposta compensação com a anulação do gol legal. Fosse tiro de meta ou escanteio, ninguém poderia reclamar com essa veemência toda que, de fato, ninguém reclamou.

Ou seja, tudo leva a crer que não houve compensação porra nenhuma no lance. E mesmo que tivesse havido, seria o maior dos absurdos dos absurdos anular um gol dois lances depois de um escanteio supostamente mal marcado…

É até possível que o Palmeiras não fosse o campeão mesmo que tivesse vencido aquele jogo. Nunca saberemos. Apenas pelos pontos perdidos naquela tarde no Maracanã, não seria, mas 3 pontos na bagagem de volta do rio de Janeiro há 4 rodadas do fim, traria todo um ânimo diferente pra equipe naquela reta final…

Mas, se o gol não tivesse sido mal anulado, o Fluminense teria sido rebaixado, isso se pode afirmar COM CERTEZA ABSOLUTA, pois com o empate (o jogo seria 1×1) teria feito 44 pontos contra 45 do Coritiba, que acabou jogando a Série B de 2010 no lugar do clube carioca (com o 1×0 contra a gente, o Fluminense fez 46 pontos e se safou da degola).

Assim postas as coisas, considerando os interesses e os envolvidos, é bem difícil de acreditar nesta nova “verdade” depois de tantos anos contando histórias bem diferentes da atual.  A principal delas, repetida várias vezes, era a de que Obina teria confessado a falta. Foi desmentido por vezes ao longo desses anos todos, pelo Obina e pelo Palmeiras. O pedido de desculpas, aliás, sepulta a dúvida.

Mas uma coisa jamais poderá ser desdita: é o tal do “perigo de gol” naquele lance. Se foi por causa do escanteio que seria tiro de meta, ou se foi por qualquer outro motivo não revelado, o certo é que, SEM NENHUMA DÚVIDA, houve uma anulação premeditada (pensada, proposital) de um gol legal do Palmeiras, que podia ter trazido então o nono caneco nacional pra nossa sala de troféus (que lá está desde 2016), que teria confirmado mais um rebaixamento do Fluminense e que teria evitado o mesmo destino ao Coritiba, o único que não tinha nada a ver com a história, aquele que foi a vítima da bala perdida da vez…

Essa declaração, com quase uma década de atraso, por mais que não se possa confiar nela cegamente, só vem a confirmar o que há muito se sabe: árbitros interferem nos resultados dos jogos, quer por motivos pessoais – como evitar uma geladeira por validar um gol ilegal – quer por razões outras que jamais conheceremos.

Não é só ruindade, como a imprensa tenta nos empurrar goela abaixo. Muito longe disso. É até natural que os programas esportivos defendam esses lances seguidos de interferência no resultado das partidas como meros erros, porque como vender um produto – a audiência do futebol – se ele tivesse a mesma credibilidade de um telequete?

Por isso é muito raro que se encontre jornalista que, diante de um absurdo escabroso como a final do Campeonato Paulista deste ano, se disponha a investigar os fatos; é muito mais fácil e cômodo, inclusive para manter o emprego, debochar de quem, de forma inédita, decidiu peitar o sistema e o esquema e passou a lutar contra todos para provar o que todo mundo tá cansado de saber.

Para nós, palmeirenses, que somos sempre acusados de sofrermos de mania de perseguição, essa declaração com quase uma década de atraso, se é que serve pra alguma coisa, presta apenas pra confirmar o que sempre soubemos: dependendo do adversário, dependendo do soprador de apito, nunca será um mero erro inocente de arbitragem contra o Palmeiras.

Mas é esse o ônus de quem tem a história limpa, uma cruz que o Palmeiras carrega cada vez mais sem medo das consequências, sejam elas quais forem…

AVANTI PALESTRA!

Publicado em 02/05/2018, em Geral. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Irineu Curtulo

    Boa tarde! Não acompanho blogs de outros clubes, tampouco perco meu tempo em conferir matérias na imprensa marrom. Mas, gostaria de saber como estão os torcedores do Coritiba em relação a esse fato, visto que foram prejudicados substancialmente devido a esse furto.

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