Palmeiras 1×0 Chapecoense – BR16

Em 1994 eu tinha 16 anos. Entendia de Palmeiras o quanto um moleque podia entender. Mas eram outros tempos, o Palmeiras consagrava o bicampeonato brasileiro, justamente em cima da Gambazada, e foi aquele atropelo que ninguém esquece.

18 meses antes, eu via o Palmeiras ser campeão pela primeira vez, também em cima dos lixos, e lembro que aos 14, nem sabia como era ao certo comemorar um campeonato.

Em 1994, o quinto título seguido tinha um gosto que quase se aproximava da soberba. Como era fácil ser campeão.

Não era. E não foi.

Um Paulista fenomenal em 1996, a Copa do Brasil escapando pelos nossos dedos com um dos melhores elencos que já defenderam nossas cores, o vice brasileiro em 1997, com um Vasco com Evair e Edmundo do lado de lá.

98 a Copa do Brasil e a Mercosul prenunciavam a conquista da América em 1999, o injusto vice campeonato mundial. 

7 anos de hegemonia e protagonismo deram lugar a uma derrocada vertical. Em pouco mais de 03 anos conhecemos o fundo do poço em 2002. Parecia mentira mas não era. O mesmo time que jantou o M.United no Japão, mas não levou, ia disputar a série B quase tempo nenhum depois.

 Foram 06 anos até a conquista do Paulista de 2008. Era pouco.

E foi mesmo.

Mais 4 anos até a Copa do Brasil e, no mesmo ano, mais uma tragédia inexplicável e muito mais dolorida.

Depois do maldito calvário do Centenário, a Copa do Brasil em 2015, desacreditado que foi o Palmeiras, teve um sabor de cara lavada, de apontar o dedo na cara de quem desrespeitava a grandeza da camisa, e esquecia da história que vinha por trás dos resultados na maior parte magros dessas últimas duas décadas.

Mas ainda faltava um passo a mais. O título brasileiro por pontos corridos, que disputado nesse formato há 14 anos, nos escapou por muito pouco em 2009.

E o engraçado é que embora o Palmeiras tenha liderado 28 das 37 rodadas deste campeonato, dessa vez o título nunca esteve tão perto quanto no fatídico 2009. Pelo contrário, quis o destino que justo na nossa vez o campeonato mais disputado de todos os tempos se colocasse como mais uma barreira a ser superada rumo ao título.

A linha editorial da maior parte das redações esportivas também foi outro obstáculo a ser batido. Poucos jornalistas se deram ao trabalho de disfarçar sua preferência pelo nosso insucesso. Avaliações rasas, brigas com imagens e até com a eficiência da equipe se tornaram emblemas dessa gente que não suporta ver o nosso triunfo.

Veio a Olimpíada e com ela acho que recebemos o maior golpe nessa caminhada: Prass, o melhor de 2015, que já ficaria de fora de pelo menos 9 partidas por causa dos jogos olímpicos, sofre uma contusão e é declarado como carta fora do baralho pra essa temporada.

E eis que surge a improvável estrela dum completo estranho, Jailson, que estreiou na Série A aos 35 anos, simplesmente para nunca perder vestindo a nossa camisa. Só isso: NUNCA PERDEU. Como não ser campeão com um goleiro que não perde nunca?

Tiveram também as incontáveis punições, tiraram nossos instrumentos, tiraram nosso Gol Norte por 05 jogos – o único clube que cumpre integralmente as punições desse circo chamado de Justiça Desportiva -tiraram até o nosso direito de ir e vir pelos arredores do Palestra, esse último golpe com os inexplicáveis apoio e conivência da nossa diretoria, uma verdadeira mancha numa gestão que mostrou, em seu segundo mandato, extremas competência e também intransigência, principalmente quando o assunto é torcida.

Mas nem isso foi capaz de abalar nossa festa e a nossa vitória. Se não tínhamos a Caraíbas, teríamos Congonhas, a Marquês, o mundo…

E nem vou entrar no mérito de onde a festa foi mais saborosa, dentro do elitizado estádio ou nas sarjetas da rua Caraíbas: é uma questão de predileção, eu sei a minha, mas não julgo a sua.

O importante foi vibrar, gritar e chorar esse título tão suado e sofrido como tinha mesmo que ser, há tempos digo aqui, nada é fácil pra nossa gente, e o primeiro título brasileiro por pontos corridos, 22 anos depois, durante os quais nunca os rivais sequer chegaram perto de nos ultrapassar em número de títulos, não poderia ser – e nem gostaríamos que fosse – diferente.

Se essa campanha vai ter um símbolo, nenhum gol marcado teve mais importância do que esse não sofrido, que representa tão claramente o quanto foi lutado e brigado esse caneco, que nenhum filho da puta ouse diminuir essa conquista!ze-roberto

Pra fechar não posso deixar de falar que há 22 anos, meu tio Rubinho e os amigos descolaram uma kombi pra levar toda a molecada, eu incluído, pra ver o Verdão bater o Vitória e ganhar o Brasileirão de 94. Hoje foi minha vez de levar o Rubão pro primeiro título dele na nossa nova casa. Foi o primeiro jogo dele lá também. Tive o prazer de retribuir a gentileza e agradecer um pouquinho essa herança maravilhosa de torcer pro Verdão que ele e o Laurão me proporcionaram.

PARABÉNS MAIOR CAMPEÃO NACIONAL DE TODOS! #NINGUÉMTEMMAIS

AVANTI PALESTRA!

Publicado em 27/11/2016, em Geral, Palmeiras em Campo. Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Marcelo Nacle

    Parabéns Daniel, texto maravilhoso. Cabe mencionar aqui outra dificuldade, o descaso da RGT conosco, dando espaço apenas para gambás e bambis, ambos a beira da falência… Com isso nasceram as mídias palmeirenses. De forma colaborativa, todos sugerem, analisam, decidem e de alguma forma influenciam os nossos dirigentes. Vc é um dos grandes deste da canal. Parabéns novamente.

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