Arquivo diário: 03/06/2015

Não Foi por Falta de Aviso


socio torcedorE hoje pela manhã, aconteceu o que todo mundo já sabia, menos a ilustre diretoria do Palmeiras.

Atualizados os números dos programas de sócio torcedor, foram confirmadas nada menos que 14 mil inadimplências/cancelamentos no Avanti, empurrando o programa para a terceira posição do ranking dos STs.

Honestamente, não poderia me preocupar menos com a posição do clube no ranking. 1º, ou último, não vai ser de mim que vocês ouvirão elogios ou reclamações. Também nunca vão me ver aplaudindo renda. Mas, cada um torce como quer…

O que preocupa é saber que 14 mil pessoas deixaram de pagar ou cancelaram seus planos depois do aumento e, com isso, deixarão de ir aos jogos. Quase 12%. 1/4 do estádio.

E o reflexo do aumento relativo aos dependentes sequer foi sentido ainda, pois como o aumento ocorreu agora em junho, somente em agosto que serão vistos os sinais da debandada generalizada dos adicionais (o Futebol Melhor só contempla inadimplências a partir do segundo mês consecutivo sem pagamento).

Foi como eu disse no post de segunda-feira. Tudo tem limite. O torcedor não é otário. E a situação não tá fácil, em tempos de recessão econômica, apenas os mais abastados podem se dar ao luxo de contribuir para um programa de sócio torcedor desenvolvido para atender apenas a elite palmeirense, sem se preocupar com o torcedor de menor poder aquisitivo, mas igualmente palmeirense ou então com as famílias palestrinas.

Não é possível que não tenha um ser consciente na gestão do sócio torcedor para apontar que esse modelo elitista é falho, que criança e idoso não podem pagar ingresso cheio, e que, a longo prazo, voltaremos a ter estádio vazio e queda no número de torcedores,

Não é possível que esses gênios das finanças não saibam que uma criança que tem seu acesso facilitado ao estádio é um futuro consumidor em potencial, que os 80,00 que são cobrados dela hoje são peanuts  perto dos milhares de reais que essa pessoa vai gastar com o Palmeiras no futuro, comprando camisa, produtos licenciados, tendo o hábito de frequentar o estádio e passando para os seus filhos a palestrinidade. Já ouviram falar em investimento a longo prazo?

Não é possível que não consigam pensar num modelo de Avanti familiar (dois adultos, duas crianças, por exemplo – como era o ingresso-família do Paulistão 2008), ao invés de tratar o dependente como se fosse um oportunista, mesmo que seja uma criança de 02 anos…

Enquanto isso, podem pegar a previsão de que o Avanti seria o primeiro programa de sócio-torcedor até o final do ano, e guardá-la bem lá no fundo do baú, e voltem pra faculdade, mas dessas vez, ao invés de modelos econômicos em Harvard, sugiro que estudem antropologia, ou outra espécie de ciências humanas que lhes permita enxergar um palmo à frente do nariz.

E pra gente, só resta lamentar os 14 mil irmãos palmeirenses que deixarão de frequentar o estádio graças à uma política caolha que vai desde o preço do ingresso até o valor do sócio torcedor do dependente.

Meus parabéns aos responsáveis, e espero sinceramente que quem jurou de pé junto pra diretoria que depois do reajuste a inadimplência “não chegaria nem nos 10%” (“Os estudos apontam que não chegará a 10%”, a diretoria disse na última reunião do conselho) responda pelos 12% de inadimplência logo no primeiro mês. E já adianto: vai aumentar esse número aí, e falo isso com a propriedade de quem não tem nenhum diploma de Economia, Administração, MBA e os caralho na parede, mas que frequenta a laje do Velho Palestra desde 1984, quando o ingresso tinha preço decente e Arena era uma palavra que ninguém ali conhecia.

E não seria vergonha nenhuma acusar o golpe, admitir a cagada e reformular toda a parada, mas acho, só acho, que vai faltar a humildade necessária,

Veremos…

AVANTI PALESTRA!

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