O Silêncio que Vale por Uma Borrachada

De toda a barbárie que se passou no quadrilátero formado pelas ruas Turiassu, Caraibas, Venancio Aires e Diana no última 08, o que mais impressionou não foi a reação absurdamente desproporcional  da Polícia, que jogou a torcida inteira do Palmeiras na vala comum midiática do “torcedor é tudo bandido” e mandou bomba e bala de borracha pra cima de famílias, crianças, idosos e quem mais tivesse o infortúnio de estar em frente a um estádio de futebol como se estivesse bobeando numa zona de guerra.

O que mais espanta é que até o momento o Palmeiras não se pronunciou de maneira alguma sobre os incidentes, nem mesmo para se solidarizar com a parte maciça dos que foram tratados a balas e bombas de efeito moral e que não tinham nem ideia do que estava acontecendo.

Imagino o pavor que avós, pais e filhos devam ter sentido ao se depararem com cenas de batalha em meio a uma praça esportiva, que deveria ser um ambiente apenas recreativo.

– Ah, mas o que o Palmeiras poderia fazer?

Pra começar, podia romper o silêncio. Uma nota lamentando os fatos, se colocando à disposição das autoridades e exigindo de todas elas as punições cabíveis aos responsáveis, sejam eles torcedores ou polícia, seria o mínimo.

Não pega bem na relação do clube com o seu torcedor quando este se dá conta de que, da porta da rua pra fora, ele não faz parte da preocupação da agremiação. É cada um por si. Isso num evento esportivo em que o ticket médio foi de R$ 93,00…

O sujeito gasta quase 200 Dilmas pra ir no campo com o filho, paga mais 50 paus pra parar o carro, chega no estádio levando bomba da polícia na cabeça e o clube, organizador do evento esportivo, que tem responsabilidade objetiva (independentemente da apuração de culpa) pela segurança do torcedor – antes, durante e após o evento – sequer se dá ao trabalho de um pronunciamento oficial.

Menos mal que as chapas e grupos de conselheiros da Sociedade Esportiva Palmeiras romperam o silêncio da instituição e exigiram, por meio de uma nota, que as autoridades adotem as medidas imprescindíveis para apuração dos exageros da polícia e punição dos responsáveis.

É uma pena que o Palmeiras tenha tanta agilidade para se pronunciar rapidamente sobre coisas banais, como trocar farpas ou escusas com dirigentes dos times rivais, mas não se pronuncie sobre os fatos extremamente graves e lamentáveis que colocaram em risco a integridade física da sua torcida, o maior bem intangível que integra a Sociedade Esportiva Palmeiras.

É, no fim das contas, uma questão de valoração. Afinal, quanto mais desses eventos acontecerem, sem o Palmeiras se posicionar, menos se verá os espectadores de ópera que tanto são esperados para fazer jus aos “convidativos” ingressos a preço de baile de formatura.

Porque é aquela história, se o clube não é parte da solução, ainda que apenas pra fazer um pronunciamento, exigir apuração de responsabilidades ou o que quer que seja, então ele é parte do problema, por pura e simples omissão.

Com a palavra, o Palmeiras.

AVANTI PALESTRA!

Publicado em 10/02/2015, em Visão da Arquibancada e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Parabéns mais uma vez pelo texto… A falta de noção desta diretoria é gritante

  2. Rogerinho Fumo

    Excelente texto Maluco. Alô Presidente Paulo Nobre, cade a sua palavra? Vai ficar na encolha denovo? Lembre-se que na sexta antes do clássico o seu “amigo” Mario GambaGobbi te DETONOU na mídia toda e o Sr somente consentiu.
    Banana!!!!

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