Cem Vezes Palestrinos!

Tanto poderia ser dito nessa data tão especial.

Podia escrever da história fascinante de criação do Palestra, voltada a albergar os imigrantes italianos na São Paulo do início do Século XX.

Das perseguições e preconceitos que foram sofridos ao longo de todos esses anos.

Da injusta imposição de obrigar o clube que sempre soube ser brasileiro mudar de nome, como se isso pudesse representar a renegação às origens italianas da instituição. 

Do inimigo que, antes moribundo, gozou do prestigio do Palestra pra não acabar, e depois tentou tomar na mãozada nosso patrimônio, e até os dias atuais ainda faz disso seu mote, sem perceber que isso só nos engrandece, por mais que possa não parecer assim.

Do rival que, desde o primeiro jogo, em 1917, aprendeu que o destino do Palestra era ser imenso e, claro, maior que o tal time do povo, aquele do sofrimento seletivo.

Do sem número de títulos que levaram o Palmeiras a ser o primeiro do mundo, o maior campeão nacional, campeão da América, o Campeão do Século XX, título que defenderemos pelo menos mais 86 anos, oxalá que sejam 186…

Todas essas histórias, porém, o palmeirense conhece muito bem, e dificilmente eu conseguiria aqui alcançar o nível de riqueza de detalhes e de narrativa dos vários autores que já se dedicaram a essa tarefa.

Fico então, confortável em falar não dos 100 anos do Palmeiras, mas dos 100 anos do palmeirense, dessa torcida que canta e vibra e que nunca para de cantar e de apoiar o Verdão, a quem aprendeu a carregar nos ombros tantas e tantas vezes.

Não conheço meios palmeirenses. Nossa torcida é composta de uma quantidade impressionante de pessoas decididas a fazer do Palmeiras sua razão de viver. Posso citar, desde já, Rubens e Lauro, meu tio e meu avô, que se empenharam na quase impossível tarefa de fazer de mim mais um palmeirense, mesmo a família do outro lado sendo toda gambá.

Semente plantada, posso dizer que me considero palmeirense desde a porta da maternidade. Sim, eles mandaram fazer uma camisa de enfeite de porta maternidade prum filho dum gambá. Se o enfeite ficou na porta ou não, são outros 500, e há divergeência nos relatos… Mas que sou palestra desde o nascimento, isso ninguém me tira.

E conheço tantos outros palmeirenses rigorosos que, assim como eu, cresceram palestrinos numa família de torcedores do rival. E o mais impressionante: numa época – fim dos anos 70 e início dos 80 – em que o Palmeiras parecia ter esquecido, como nos últimos anos, que é gigante. Não conheço os números, mas sempre acreditei que essa é uma particularidade quase exclusiva do palmeirense.

E não é a única, porque o palmeirense, normalmente, beira à insanidade. O desespero pela última colocação no Campeonato Brasileiro, mesmo com o campeonato ainda nem na metade, em questão de segundos, dá lugar a um inexplicável sentimento de confiança e esperança quando sai o sorteio da Copa do Brasil: – pegamos o Galo. Dá pra ganhar! E depois, que venham os Gambás! Somos assim, zero razão, 1000% coração.

De todos os textos que eu li em homenagem ao centenário do Palestra, teve um que me chamou especial atenção, do Leandro Beguoci, do site Trivela e revista VIP, que tomo a liberdade de aqui transcrever um trecho (selecionado pelo meu parça Gui Costa):

“Todo palmeirense, tenha a origem que tiver, é um espectador de ópera do século 19. Até os mais indiferentes, as pessoas que só ligam para títulos, têm lampejos wagnerianos. Isso, no final das contas, explica os grandes e os pequenos momentos do Palmeiras. Essa relação entre torcida e time expõe um bocado a dor e a delícia de amar o Palestra. É um time, para o bem e para o mal, que não conhece sentimentos mornos. Tudo precisa ser absurdamente intenso na vida da torcida que canta, vibra e se emociona como se não houvesse amanhã”.

Festa Popular do Centenário - foto de Leandro Bafume

Festa do Centenário – foto de Leandro Bafume

É justamente isso: a dor e a delícia de ser Palestra é o que acho que Joelmir Beting quis se referir quando da sua celébre frase sobre ser desnecessário explicar o que é ser palmeirense pra um palmeirense, e impossível pra quem não é. Só a gente sabe o quanto é difícil, e o quanto é bom, ser palmeirense.

Que outro sentimento poderia levar uma multidão às ruas pra celebrar o aniversário do time que se encontrava, àquele momento, em último lugar no campeonato? Definitivamente, não há nada igual.

Então, nestes 100 anos, parabéns palmeirense, pelas historias de conquistas e de glórias. A gente merece! E que o dia 27 de agosto de 2014 marque um noivo ressurgimento do alviverde imponente no gramado em que a luta o aguarda! PRA CIMA PALMEIRAS! PRA CIMA PALMEEEEIRASSSS!!!!

AVANTI PALESTRA! 

Publicado em 25/08/2014, em Visão da Arquibancada e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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