Os pontos cruciais na perda do 14

Finalmente a diretoria do Palmeiras, na pessoa de seu presidente, resolveu se pronunciar sobre o caso Alan Kardec. Foi confirmada a saída do atleta para a bicharada, e eleitos os culpados, o próprio jogador que não teve consideração,  e o time antietico do Jardim Leonor. Assumiu a culpa pelo fracasso na negociação, assim como é culpa do presidente quando o time perde um pênalti.

Então, cartas postas na mesa, vamos, por pontos, como de costume aqui nesse blog, analisar a presepada.

1. Jogador só quer saber de dinheiro. Isso é assim desde que alguém decidiu pagar pra um cara jogar futebol. De uns tempos pra cá, porém, isso se tornou ainda mais evidente. O que surpreende é a diretoria do Palmeiras não saber que, assim que chegasse uma proposta melhor pelo Kardec, a negociação estaria encerrada. Você está oferecendo 200, e deixa espaço pra oferecem 350, um abraço, amigão… Achar que jogador vai lembrar que há um ano atrás estava no time B dum campeonato apagado como o português e que só porque o Palmeiras lhe deu uma chance ele teria alguma consideração é, no mínimo, inocência, pra usar um termo da moda. 

2. Empresário de jogador então… Quantos e quantos casos precisarão acontecer pro Palmeiras aprender? Desenterramos Kleber da Ucrania, enchemos o cara de moral, ele depois voltou e, na primeira oportunidade, o empresário dele sambou na nossa cara. Algum tempo depois, o Palmeiras contratava o grandissíssimo  Correa, do mesmo agente, pra vir terminar de enterrar o time rebaixado de 2012. A Traffic, que já tinha – enquanto parceira – colocado Gaúcho no Flamengo, trouxe o Kardec por empréstimo, mas além de uma gorda comissão, ainda exigiu a contratação de Felipe Menezes por 03 anos. Daí trouxeram o Bruno Cesar – abandonado nas Arabias – por empréstimo, outra gorda comissão, mas toma aí o tal de Paulo Henrique (quem?) em definitivo por 03 anos. E na primeira oportunidade que tem, uma milha a mais na jogada, tiram o jogador que ajudamos a tirar do esquecimento e colocam no rival. Entenderam como é que dança essa ópera? Se o Palmeiras tivesse vergonha na cara, mandava avisar a Traffic que jogador nenhum mais que tenha o dedo deles vestiria a camisa do Palmeiras. E se já tiver alguém no elenco, manda pra Guarulhos. E o pai do jogador então? Essa intransigência toda, a falação toda na imprensa, vocês acham que foi gratuita? Com certeza já tinha chegado na orelha dele que alguém pagaria mais do que o Palmeiras estava oferecendo. Tudo muito bem pensado… Por isso mesmo que com essa gente não pode vacilar, mas, principalmente, o cara que te passou pra trás uma vez não pode sentar na sua mesa de negociação nunca mais. Fool me once, shame on you. Fool me twice, shame on me.

3. No futebol, tempo é dinheiro… Regra mais do que básica no futebol é que, quem quer montar time competitivo, tem que chegar antes dos rivais em todos os aspectos, na hora de contratar jogador, negociar patrocínio e, enfim, buscar capacitar seu time. Quem chega antes, sai na frente sempre e não toma chapéu do adversário. Se o Palmeiras tinha intenção de renovar com o Kardec, se já tinha valores fixados com o Benfica, tinha que renovar com o jogador antes dele começar a despertar interesse nos rivais, ou seja, no final do ano passado. Arrastar por mais de quatro meses uma negociação dessas, com um jogador em ascensão e que, por estar emprestado, podia sair a qualquer momento, foi a grande brecha da história, muito mais do que pechinchar os valores. E a história se repete como padrão, foi assim com o Leandro e com o Kleina, que “deu certo”, foi assim com o Kardec, que deu errado, e está sendo assim com o Wesley e com o Patrik Vieira, que poderão assinar pré-contrato com outro time em agosto e em dezembro, respectivamente. Vão correr o risco de dar merda de novo? Vencer pela paciência nem sempre é vitória. Basta ver a disposição do Leandro que, desde que renovou por bem menos do que queria, parou de jogar bola.

4. Não existe ética no futebol Sim, os bambis foram sujos e sorrateiros, como sempre fizeram, como sempre farão. E todo mundo sabe disso. O próprio presidente, na coletiva de hoje, confirmou que foi consultado sobre eventual boicote à bicharada na Copa SP, dado serem contumaz aliciadores de jogadores da base. E, nem precisa ser tão recente, o caso Ilsinho já faz alguns anos. Então, se não era novidade, essa puta moscada que deram não pode ter como desculpa a falta de ética dos afrescalhados do Jd. Leonor. No minuto que se ouviu, pela primeira vez, que os bambis tinham interesse, tinham que agir rápido. Não o fizeram. E eles já anunciaram que vão levar o Wesley também. E aí, vão se coçar ou deixar darem o tiro de misericórdia?

5. A tal da produtividade Apesar de ser um conceito correto e coerente, a diretoria tem que entender que toda mudança brusca de filosofia tem que ser introduzida com calma. Decidir, da noite para o dia, que o Palmeiras só contrata por produtividade só daria o resultado esperado se – e somente se – boa parte das outras equipes decidisse adotar o mesmo conceito. Caso contrário, será o Palmeiras remando contra a maré, e a chance do modelo dar resultado passa a ser nenhuma. Basta ver que, no mercado brasileiro, esse modelo de contrato só tinha sido utilizado até hoje para contratos de risco (Adriano é o exemplo mais emblemático). No Palmeiras, só vingou com os perebas – Marcelo Oliviera, Bruno, Wendel, etc., com os bichados ou em fim de carreira – Victorino, Lucio, Diogo, e com os jogadores que acabaram de surgir – Marquinhos Gabriel. Mas não serve pra todo mundo. Vários titulares do ano passado não aceitaram e foram embora, pra bem ou para mal. Mas a lição que tem que ficar é que nada emplaca na marra.

6. O prejuízo intangível Quando se senta numa mesa de negociação, muitos interesses estão em jogo, parte deles tem expressão financeira, e outra parte, muito mais valiosa, não. O nome do clube, a marca, a moral da torcida, não têm preço. Muito mais importante que a saúde financeira do clube, é a saúde do patrimônio intangível do clube. Numa negociação fracassada como essa, em que saímos esculachados pela bicharada, quem mais perde é a marca e o nome do clube. Que patrocinador vai querer estampar seu nome na camisa se o time perde de mão beijada pro rival o jogador que mais vendia camisa? Que é passado pra trás como se tira doce de criança? Quantos torcedores do Palmeiras, os mais novos principalmente, não vão ser zoados pelos rivais? Quanto custa toda essa perda? Por isso na hora de contar as moedinhas, não são só os números que tem valor. Que fique de lição.

7. A situação financeira do clube é assunto interno Não se comenta no Palmeiras – nesta gestão – negociações de atletas em andamento. Perfeito. Mas a condição financeira do clube está na boca do povo.  O FDIC – ou sei la como se fala – de 54 milhões saiu em todos os jornais. Os empréstimos avalizados pelo presidente, 85 milhões, todo mundo sabe. Só que isso atrapalha tanto quanto comentar negociações de jogadores. Que diretor de empresa vai pagar 30 milhões para patrocinar o clube se, sabendo da situação financeira, pode oferecer 20, “porque eles tão quebrados, vão acabar aceitando”? E qual dirigente de adversário não vai tentar roubar os jogadores do Palmeiras pondo mais dinheiro na mesa? Enquanto nos outros clubes as contratações são comentadas durante a negociação e os jogadores fecham, mas não se ouve um ‘a’ sobre dívidas (e elas existem, acreditem), no Palmeiras é o contrário o que acontece. Precisa mudar.

8. Kardec não vale tudo isso No fim das contas, Alan Kardec acabou saindo muito mais valorizado do que efetivamente vale. É um atacante comum, um dos melhores jogadores comuns que passou por aqui nos últimos tempos, muito mais comum que o Barcos, por exemplo, e que estava numa fase excelente, a melhor de sua modesta carreira. Não vale 4,5 MI de euros e mais 350 mil por mês por 60 meses. 36 milhões de Reais em 05 anos. Pro cara ser reserva. Os bambis ficaram loucas. O que não diminui o bote que o Palmeiras levou, que fique claro. Mas o palmeirense tem que entender que assim como achamos que o mundo acabaria com a saída do Barcos, eis que surgiu o Kardec e nos fez esquecer o argentino, e logo mais virá alguém – que seja o Henrique – que nos fará rir do mediano pra bom Alan Kardec. Ele, aliás, que dê muito a bunda do outro lado do mundo.

9. A entrevista Considerados todos os pontos anteriores, achei a entrevista do presidente ruim. Visivelmente abatido, olheiras profundas, Paulo Nobre  mostrou claramente que acusou o golpe. É até natural, apesar do vacilo tremendo, ninguém duvida que, como todo palmeirense, ficou chateado com o desfecho. Mas faltou um pouco de humildade, todo mundo sabe que a forçada de barra – a pechinchada final – deu errado e nos custou um jogador importante. A falta de leitura da situação, o excesso de confiança no desfecho favorável, foram muito mais determinantes do que as previsíveis faltas de ética bambi e de consideração do jogador. É aquela fábula da rã e do escorpião, quem não conhece, vá pro google e pesquise. Então, botar a culpa nos outros, e não em si mesmo (e comparar a responsabilidade por essa negociação fracassada a um pênalti perdido em campo), soou muito mais como xororô do que a resposta que o palmeirense gostaria de ouvir. Um simples “CAGAMOS!” já teria mais valor que os longos minutos tentando explicar o inexplicável. E haverá troco. Amanhã, o presidente dos bambis já marcou sua resposta, e o fim da história é que seremos muito mais humilhados do que já fomos. Denecessário.

10. O cancelamento do Avanti Muita gente decidiu cancelar o Avanti. Respeito e entendo, mas não farei o mesmo. O argumento é válido, porém. O relacionamento com o sócio-torcedor é, da parte do torcedor, uma forma de contribuir com o time, mas só funciona se tiver o mínimo de resultado. Time competitivo, com pretensão de título, é o mínimo que se espera. Mas o Palmeiras perde um jogador importante atrás do outro, já foi o capitão e o artilheiro e a impressão que passa pro torcedor – principalmente depois da entrevista estúpida do CEO – é de que títulos não são prioridade. Daí achar que o cara vai ser Avanti só pra pagar menos do ingresso mais caro do Brasil pra ver Serginho, Miguel e cia. é muita inocência. De qualquer forma, temos que continuar indo aos jogos, o Palmeiras precisa da torcida mais do que nunca. Cancelar o Avanti não será a solução. Mas que dá vontade, isso dá. Por isso que eu entendo quem o fez.

11. O dia seguinte Sejamos sinceros. O ano do centenário acabou. E não foi hoje, com o anúncio oficial da saída do Kardec. O ano acabou quando perdemos para o Ituano a chance de ser campeão paulista, o único título que tínhamos alguma chance de ganhar, e a missão agora é manter o Palmeiras longe da zona do rebaixamento e de mais um dos corriqueiros vexames na Copa do Brasil. Que comece agora o planejamento de 2015 e que inicie pela demissão imediata do Kleina e do Brunoro. As razões são óbvias, e todas anteriores ao episódio Kardec. Nenhum dos dois teve culpa. Mas se tem que dar uma chacoalhada no elenco, que seja com as cabeças do treinador, responsável pela apatia do time nos dois primeiros jogos do BR – assim como tantos outros – e do CEO que acha normal perder o Kardec, que não acha obrigatório ser campeão, que acha que falta de patrocínio não atrapalha, que apostou em Weldinho, Victorino, Felipe Menezes, Paulo Henrique, Josimar… E bora contratar urgente. 

12. ____

REAGE, PALESTRA!

Publicado em 29/04/2014, em Visão da Arquibancada e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 5 Comentários.

  1. Bem que poderiam ter usado a verba gasta pra renovar como maior perna de pau do time, o Leandro, para engordar a oferta pelo Kardec. Sempre foi claro e ululante que o Kardec resolvia no aperto, e que o Leandro só faz gol quando o resultado já tá garantido, e debaixo da trave sem goleiro. Quanto a cancelar o Avanti, baita vacilo. Se toda vez que der m…., os sócios cancelarem, e quando der algo certo, assinarem de novo, vamos viver em eterna montanha russa, pois não existe no planeta clube onde tudo dê certo sempre. Isso não ocorre nem com os bilionários Real Madrid e Barcelona, que o diga com os clubes do fraquíssimo campeonato brasileiro. No mais, acho que o Palmeiras tem de oferecer mesmo oque ele acha que o jogador vale, se vem outro clube, e faz uma oferta totalmente incoerente com a qualidade do atleta, tem mesmo de deixar ir embora. Só que claro, tem de ser mais ágil, poderiam ter fechado por valores razoáveis para os cofres do clube há um bom tempo já, quiseram espremer o limão por tempo demais, deram chance pro azar. No entanto, acho que dá pra botar uma fé nesse henrique e não reclamaria se chegasse também o gordinho.

  2. Cancelando o Avanti. Pra ele serve? não me sinto representada neste momento pelo Avanti ou pelo Presidente. Vou continuar a ir em jogo e compro o ingresso na bilheteria. paciência.

  3. Onde eu assino? Perfeito o seu ponto de vista. Parabéns!!

  4. Rogerinho Fumo

    Minha relação com o Palmeiras está no seguinte estágio. To divorciado mas ainda AMO.

  5. Nada a declarar maluco… Vc sabe como pensamos!!! E escreveu perfeito… Tenho uma pergunta somente!!! Se 18 milhões pensam assim como um cara de negócio, acionista não vê isso??? Se vai explodir no mercado um produto novo da Petrobras vou correr comprar as ações… E ele vai chorar Pq não fui ético??? Se negocio tivesse ética muitos contratos não seriam fechados no PUTEIRO!!!!

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