Centenário ou Cemtenada?

Com este post, sugestão do meu grande tio Rubão, palestrino natural da Mooca que atualmente esverdeia as areias de Copacabana, encerro o ano de 2013 do Maluco Pelo Palmeiras. A não ser que algo de muito relevante – leia-se a troca do técnico, e não leia-se o título da Série B – justifique interromper as minhas férias tão merecidas.

Desde que começou essa Série B maldita e, especialmente quando o Palmeiras deixou de ter chance de disputar qualquer torneio de importância no ano de 2014 – leia-se Libertadores – o palmeirense deve estar apostando todas as suas fichas no ano que vem, em que o clube completa 100 anos, quase todos eles de muitas glórias.

E é inevitável que fique aquela expectativa de que na comemoração de um século de existência, o clube presenteie seu torcedor com a contratação de um time e comissão técnica à altura da camisa centenária, e que estes, por sua vez, tragam os tão sonhados títulos.

É bem verdade que essa marca de 100 anos costuma ser tabu e vários times já quebraram a cara, mesmo montando elencos respeitáveis: quem não lembra do melhor ataque do mundo – Romario, Savio e Edmundo – no Flamengo em 1995, que rendeu apenas uma mísera Taça Guanabara? Teve ainda o quase rebaixamento de Gremio em 2003, e do Botafogo em 2004. E o Galo, que em 2008, além de não ter ganho nada, ainda perdeu o estadual pro maior rival com uma surra de 5×0. Isso pra não falar do 100Tenada da Gambazada, que nem mesmo com toda a ajuda das arbitragens conseguiu ser campeão em 2010.  

Mas há também os times que quebram a risca e levantam o caneco no ano do centenário, exemplo do Vasco da Gama, que faturou nada menos que a taça Libertadores justamente no seu aniversário de 100 anos, em 98.

Tanto num caso como no outro, as semelhanças são que os clubes planejaram com antecedência os anos do centenário, investiram em jogadores, treinadores, patrocínio, enfim, buscaram fazer com que a data histórica e comemorativa pudesse ser realmente especial. Uns erraram, outros acertaram, mas todos tentaram fazer do ano especial um dos mais memoráveis, sempre com a devida antecedência.

No caso do Palmeiras, que é o que nos importa, fico com a impressão de que o planejamento para 2014 já foi gravemente ferido quando o clube escolheu priorizar o acesso no ano corrente, ao invés de investir e buscar ser competitivo na Libertadores ou na Copa do Brasil, que inclusive defendíamos o título. Um não tão impossível bi-campeonato da Copa do Brasil ou mesmo um improvável título da Libertadores nos confirmaria na disputa da Libertadores em 2014, sonho de consumo de qualquer clube sulamericano, ainda mais em ano de centenário.

Mas não foi isso que se viu. O Palmeiras abriu mão do seu melhor jogador e emprestou outros tantos, recebendo em troca os terceiros e quartos reservas de Cruzeiro, Gremio, etc., pra compor elenco – elenco este que, obviamente, não estava sendo montado pra outra coisa eu não fosse subir da Série B para a A. A desculpa: a boa e velha conhecida do palmeirense, a falta de dinheiro.

Hoje bem se vê que o Palmeiras teria subido pra Série A mesmo que tivesse jogado com o time sub-15, tamanha a facilidade que é disputar esse torneio por pontos corridos, bem diferente da roleta russa que foi em 2003.

Mas enfim, adotando-se a máxima merdas-cagadas-não-voltam-à-bunda, prossigamos olhando apenas para frente.

Há pouco mais de 45 dias do ano do seu centenário, o Palmeiras não tem patrocínio master de camisa, o que já perdura há 06 meses sem que um único centavo a esse título tivesse entrado nos cofres do clube, e mesmo com o time tendo mais jogos exibidos na TV este ano do que em 2012, um evidente incentivo à exposição da marca pro patrocinador.

A novela sobre a contratação de um treinador para 2014 tomou contornos drásticos e dignos de dar vergonha. Kleina conseguiu passar de preterido a esnobador, com uma vacilada primaria da diretoria, que deixou escapar que foi procurar Marcelo Bielsa e que ofereceu ao treinador portenho mais do que paga ao atual, enquanto sua proposta de renovação seguia na geladeira.

Com o não do argentino, o Gilsão, que não é trouxa, agora se prepara pra apontar o facão na jugular alviverde, como deve fazer qualquer um que passa de preterido para prioridade.

E isso pode significar que, com uma eventual pedida muito acima da expectativa da diretoria, o Palmeiras tenha que, na segunda quinzena de novembro, ir às compras pra arrumar um treinador pro ano que vem, e Deus nos livre passe longe daqui o fantasma do Pofexô, que desde segunda-feira assombra a torcida palmeirense, ou então os temidos sussurros de Osvaldo de Oliveira que ecoam como uma bomba no ouvido do palmeirense – pelo menos no meu. 

Enquanto isso, como fica o tal do planejamento? Será que o clube pode sair comprando jogador antes de definir o técnico? Mas a essa altura do campeonato todos os jogadores que foram destaques nas suas equipes já foram sondados, já estão encaminhados, não é verdade?

Já se ouve falar no interesse de clubes e mais clubes por Marlone, Ederson, Luis Ricardo, isso só pra citar alguns nomes. E o Palmeiras ainda precisando definir treinador… Tá certo isso?

Some-se a isso um complicado cenário de divisão na torcida, entre os que cobram e  sempre cobraram um Palmeiras melhor – ainda que vez ou outra com um certo exagero, e os que apoiam a diretoria com unhas e dentes, e a imagem que vem na mente é de tragédia, de mais um ano dessa mesmice e coadjuvância que se tornou o Palmeiras nos últimos 13 anos.

Me chamem de ansioso. Sim, sou mesmo. Como não ser, à beira do centenário, depois de anos de campanhas pífias, com o time recém retornando da desgraça da Série B, com um elenco fraco, com meio time encerrando contrato em 31.12.2013, e nada acontece?

É impossível ter tanta confiança ferrenha assim na diretoria – e aqui me refiro à diretoria do clube como uma entidade, e não às pessoas que a cada 02 anos a compõem. O passado nos demonstra o contrário. Mesmo porque não se monta um time campeão da noite pro dia, e o time que o Palmeiras tem hoje não serve pra ser campeão nem do torneio do Interior do Paulistão, a não ser essa ridícula, enfadonha e modorrenta série B.

A não ser que muita, mas muita coisa mesmo mude nos próximos 50 dias, o centenário do Palmeiras tem tudo pra ser tão ou pior do que foram os últimos anos. Infelizmente, não consigo enxergar a situação de forma diferente. Já cansei de achar que só a torcida carregar o time nos ombros iria resolver alguma coisa.

Mas vou seguir rezando como um louco, para que o nosso ano do centenário não vire o centenada que tá parecendo.

E você, acha o quê? CENTENÁRIO OU CENTENADA?

Feliz 2014.

AVANTI PALESTRA! 

Publicado em 14/11/2013, em Visão da Arquibancada e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. carlos henrique guy pricoli

    concordo com tudo,muito bem escrito e digo mais ou esconderam muito bem todas as duvidas e apuros e soluções da torcida ou daqui de onde me encontro inerte já consigo ver um buraco enorme,ainda mais profundo se o Sr Kleina vir conduzir nosso querido time pelas ondas da serie A e Paulistinha,quer dizer que já será demitido nos primeiros jogos do Paulistão e novamente estaremos a deriva sem ter feito um mínimo de planejamento,tem que ter BOM SENSO.

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