#13junho2012 Eu fui!

IMG_7433Era a última semana do mês de maio.

O Palmeiras tinha passado pelo Atlético Paranaense e iria disputar, dali 20 e poucos dias, a semi-final da Copa do Brasil. O adversário era o Gremio, e o primeiro jogo seria no temido  Olímpico, o último do Palmeiras lá, diante da desativação premente do estádio.

Zunzunzum entre os amigos sobre se íamos ou não para Porto Alegre, até que, depois de uma rápida pesquisa na Internet, comprei o vôo da TAM, Congonhas – Salgado Filho, 13 de junho de 2012, 17:50 – 19:10.

Fui pro chat do grupo e postei a confirmação do e-ticket. Tava feito, iríamos para Porto Alegre. Em minutos, ou nos dias seguintes, os amigos foram comprando e montamos o efetivo do Bonde: 10 malucos e 1 maluca.

Explicar em casa, mulher grávida de 7,5 meses, que eu ia ver um jogo fora do Estado, não foi moleza. A santa sogra se dispôs a dormir em casa pra tentar salvar a lavoura caso os gêmeos decidissem nascer no dia 13.

E assim (não) passavam os dias até o confronto decisivo, com direito até, pelo Brasileiro, ao Palmeiras ir a Porto Alegre enfrentar o mesmo Grêmio; perdemos de 1×0 MUITO roubado, um pênalti absurdo do Gilberto Silva no Henrique não marcado a minutos do fim do jogo. Era só mais um elemento a pesar na vindoura decisão: a sempre temida arbitragem.

Na semana do jogo dava ânsia de ler a imprensa “esportiva”: o Palmeiras já tinha perdido, para alguns dos nobres jornalistas, nem precisava disputar a partida. O Grêmio vinha de oito vitórias consecutivas na Copa do Brasil, 30 e não sei quantos gols marcados, 3 sofridos (sei lá se são esses os números mesmo), não perdia no Olímico há 05 meses, enfim, não teríamos a menor chance na partida.

Felipão, que do alto de todos os defeitos possíveis e imagináveis, sempre foi um especialista em mata-mata, fechou os treinos e deixou todos sem saber que time iria a campo.

Chegamos a Porto Alegre 19:20, o aeroporto, assim como o avião, repleto de camisas verdes. Tínhamos que ir ao hotel, no Centro, antes de seguir pro estádio. Por sorte, encontramos uns amigos com um mini ônibus, com 11 vagas disponíveis. Fala sério!

Pisamos no hotel, 02 casais brigavam com o funcionário da recepção, havia tido um vazamento de água e nao tinha mais nenhum apartamento disponível. Pra eles, é claro. Pra gente, o Bonde da ZL já tinha feito os check-ins de todos os nosso quartos e conseguimos deixar as malas e seguir pro Olímpico.

No caminho, um puta trânsito infernal, já se aproximavas das nove e nada de chegar no Olímpico. Um mar de azul por toda a parte. E nós de camisa no peito, a torcida do Gremio é amiga, dizem, mas vai saber… Tenso.

IMG_3929Enfim paramos em frente ao portão destinado à Torcida visitante, P. 20, que estava praticamente tomado de azul. Sim, realmente, a torcida do Grêmio é amiga. Dividimos o mesmo boteco até a última Polar acabar. Mesmo sem qualquer indício de confusão, um PM gaúcho fez questão de atirar gás de pimenta nos palmeirenses. Típico..  Era hora de entrar no estádio.

Lá dentro, um estádio muito parecido na minha opinião com a Gaiola das Loukas, principalmente pela distância do gramado pra bancada. 96% azul, contra 2.000 de nós espremidos de verde num cantinho atrás do gol, mal dava pra andar. E apesar de ser junho em Porto Alegre, não era um dia frio. Lá fazia até um certo calor, principalmente na parte superior do espaço visitante, onde ficavam os banheiros e a lanchonete pra tentar tomar uma água. Enfim, um lugar inóspito, como deve ser todo setor da torcida visitante.

Pouco antes de começar, vimos a escalação: Bruno, Artur, M. Ramos, T. Heleno e Juninho; Henrique, Assunção, João Vitor e Daniel Carvalho, Luan e Barcos, uma formação nunca antes vista, principalmente pela presença de Henrique como falso terceiro zagueiro, fazendo a cabeça de área do primeiro volante. A grande novidade era a ausência de Márcio Araujo, que vinha fazendo partidas dignas de… Márcio Araujo.

E foi um primeiro tempo amarrado, tenso, o Palmeiras tentando segurar o Gremio a todo custo, mas atacava pouco, a aposta era por uma bola, por uma chance numa bola parada ou num – improvável – contra-ataque. Mas me lembro de, ao fim do primeiro tempo, estar muito preocupado. Estaria muito mais se tivesse visto – não me lembro – uma cobrança de falta de Fernando na trave, aos 43 minutos. Muita, mas muita raça, esse era o Palmeiras naquele 13 de junho. Mas era praticamente isso. Um time raçudo.

O segundo tempo veio e com ele, ia aumentando a esperança de voltar pra casa com um 0x0, resultado fantástico, comentávamos. E o relógio não saía do lugar, a angústia ia tomando conta e pra gente só restava gritar e empurrar o Palmeiras cada minuto mais: OLEEEEE, OLEEEEEEEEEEEE! CANTA AÊ!!!

Sem explicação lógica, o Palmeiras começou a tocar a bola como nunca antes se viu naquele ano e, com isso, começou a diminuir e controlar as investidas do Grêmio. Barcos, por duas vezes, quase marcou na etapa final. Mesmo assim, era quase incrível se pensar em uma vitória.

Daniel Carvalho, praticamente morto, saiu pra dar lugar a Mazinho, aos 40 minutos. O curioso dessa substituição é que estávamos atrás do gol do Vitor, justamente onde os jogadores do Palmeiras faziam aquecimento, e na hora que foi chamado um jogador do Palmeiras, quem correu pra entrar em campo foi o Marcio Araujo. 

Decepção geral ao nosso lado. Porra, o Marcio Araujo, não! Agora que o time jogou bem sem ele… De repente, o Marcio Araujo volta correndo pro lugar onde estavam os reservas, e foi o Messi Black pro jogo. O Bigode mudou de ideia! Genial! (Depois, fomos saber, o Felipão tinha chamado o “Mazinho”, e não o “Marcinho” – como ele era chamado pelo Bigode – nada de mágica, uma simples confusão…).

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E bastaram 2 minutos. Falta de Henrique no Rondinelly (que não foi, por sinal…) cobrada pelo Léo Gago, bola cortada pelo Barcos e contra-ataque puxado pelo Verdão, bola nos pés de Cicinho – que tinha entrado no lugar do Artur pouco antes – rolou pro Mazinho – primeiro lance dele – no meio da zaga, que bateu e venceu o Vitor por baixo. GOOOOL!!!! PUTA QUE PARIUUUU! 1×0!  Vamos ganhar, vamos ganhar caralho! Um silêncio ensurdecedor no Olímpico só era vencido por um uníssono LIBERTADORES!!!!! SOMOS DA MANCHA VERDE A MAIS TEMIDA!!!!! (ver no video abaixo, a partir dos 1:30.00).

mas não seria só isso. Tinha que ser mais. E Foi. Aos 45, Pará cavou uma falta e Heber Roberto Lopes marcou falta técnica pro Palmeiras. Na cobrança, a bola espirrada sobrou pro Luan na meia, que – acreditem – acertou um passe milimétrico e colocou Juninho na linha de fundo, que – ACREDITEM – acertou um cruzamento perfeito na cabeça de Barcos, e o argentino cabeceou com precisão, sem muita força, no contrapé do Vitor, e veio comemorar ali na nossa frente. 2×0!

Neste exato momento, quando eu acabava de gritar algo que mal podia se assemelhar com “goool”, fui atropelado pelo Diego Zupo, que desceu arrastando todos a sua frente, gritando, 8, 10 degraus abaixo… Tava todo mundo maluco! Lágrimas, risos, abraços, parecia final de Copa do Mundo, e era mesmo, nunca uma vitória foi tão improvável, tão duvidada, nunca menosprezaram tanto nossa camisa, nossa força! Que alívio do caralho, o jogo era nosso, assim como o título seria! Bambis ou Coritiba, ninguém ia nos segurar…

Fim do jogo mas a festa tava só começando. Durante os 40 minutos – ou mais, perdi a noção do tempo – que ficamos confinados dentro do estádio a pegada da arquibancada seguiu a mesma OLEEEEEEE, OLEEEEEEEEEE!!!!!!! CANTA AÊ!!! EU CANTO EU SOU PALMEIRAS ATÉ MORRER!!!!!! O vídeo abaixo não me deixa mentir:

Na saída do estádio, a torcida do Gremio esperava na porta, acreditem ou não- mas perguntem pra qualquer um dos que lá estavam – pra nos aplaudir. Nós tínhamos merecido, jogamos com o time os 90 minutos, aquela vitória também era nossa.

E saímos na noite de Porto Alegre, não sem antes sermos mantidos numa ruinha ao lado do estádio por mais bons 40 minutos – ou sei lá quanto tempo. De volta ao hotel, uns foram comemorar, outros dormir, alguns já foram direto pro aeroporto. Eu, liguei a TV e fui assistir o VT do jogo, queria ter certeza que o que eu acabara de vivenciar tinha mesmo acontecido.

IMG_3965No dia seguinte, no Salgado Filho, o Pepe Reale me pergunta: Qual vôo você está? To no das 9:15. Vc vai no voo dos jogadores. Era a cereja do bolo.

E foi no Salgado Filho que tiramos essa foto com o Betinho – 33, esse aí que aparece envolto numa áurea iluminado na imagem e que, algumas semanas mais tarde, iria desviar uma falta cobrada pelo Assunção pro fundo da rede do Couto Pereira e confirmar o 11.o título nacional do Verdão, o maior campeão de todos.

Acreditem, é a mais pura verdade! Tanto que o Rovaron foi ao Couto Perreira com nada menos que a camisa 33. Nós já sabíamos! AAHHAHAHAHAHA

Era pra fechar mesmo com chave de ouro. Inesquecível. Impagável. Inigualável. Sem exageros poéticos, mas nunca antes o Palmeiras foi tão Palmeiras, no sentido de calar a boca dessa gente maldita que insiste em desmerecer a força dessa camisa. Depois desse dia, tenho certeza que muitos Netos, Kfouris, Birners e etc vão pelo menos pensar duas vezes antes de desdenhar o Palmeiras. Bom, talvez eles não, mas outros com certeza…

O dia 13 de junho vai ficar marcado pra sempre na minha vida como um dos mais importantes de todos. Só perde pra ontem, 12/06, e dia 16/06. Como junho é o mês do Palmeiras, né? Mas #13junho2012 vai ficar marcado também porque eu tava lá. #Eufui!

E pra marcar a data, nada como o VT na íntegra que deixo pra vocês abaixo:

E com isso, marco o retorno do Maluco. Ainda não sei se vou ter paciência, tempo ou até mesmo vontade  de escrever sobre o time atual, que segue repleto de vagabundos e incompetentes. Mas já tá claro pra mim que não dá pra ficar sem falar do Verdão. Mesmo que seja só pra comentar com nostalgia nossos momentos mais marcantes. Afinal, o alviverde ressurgirá imponente, já dizia um amigo meu. Desculpem pela bipolaridade, mas nada disso deve ser estranho pra vocês…

AVANTI PALESTRA!

Publicado em 13/06/2013, em Geral, História do Palmeiras e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. 5 Comentários.

  1. Parabens!!! Narrou a nossa felicidade novamente

  2. Aconteceram coisas q ate Deus duvídaria!!!!!!!!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  3. Gerson Guarino

    Simplesmente sensacional , um dos melhores jogos de nossas vidas ,e estavamos lá!

  4. Sem contar o dog mais sujo q comi… Nao existe nada pra comer ali!!! Mais naquela noite tudo foi festa!!!! Os colorados vindo agradecer a nos no aeroporto, enfim que dia inesquecível!!!

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