Jornalistas Palmeirenses

Não tenho nenhuma dúvida: antes de ser filho, pai, marido, neto, primo, sobrinho, advogado ou blogueiro, sou palmeirense. Não há um ato sequer da minha vida que não tenha alguma consideração sobre o Palmeiras em primeiro lugar. Assim como eu, conheço mais de mil.

Eu conheço alguns “palmeirenses jornalistas”. O Guilherme Costa é um deles, meu irmão de arquibancada que em toda sua carreira como jornalista sempre foi, acima de tudo, palmeirense. É assinada por ele uma das matérias mais legais sobre o velho estádio Palestra Itália e seu significado pros torcedores, pro bairro da Pompeia e pra história da Capital, feita quando trabalhava pelo jornal Metro e na qual um dos ilustres entrevistados, errr, bom, fui eu… kkkk. O Guina nunca se preocupou em esconder o orgulho de ser palestra, mesmo quando o que tinha que escrever do Palmeiras não era motivo de orgulho algum.

O que foge da minha compreensão é a quantidade quase que ínfima desses “palmeirenses jornalistas”, minoria quase absoluta dentre os infinitos “jornalistas palmeirenses” que habitam pelas redações esportivas do País.

Não sei o que acontece, se é pelo fato de serem minoria – não há nenhuma dúvida que as redações, pelo menos aqui em São Paulo, estão infestadas de gambás (todos “gambás jornalistas”) – pra ser, e parecer, imparcial, ou sei lá mais o que poderia ser, e nem aqui estou fazendo algum juízo de valor, mas parece que muitos dos verdes das redações se sentem na obrigação de serem jornalistas antes de palmeirenses.

Nada contra. De novo, não faço aqui qualquer juízo de valor. Pelo contrário, respeito. Só estou me propondo a entender…

Vamos ao exemplo mais emblemático: Paulo Vinicius Coelho, o PVC, da ESPN Brasil. Fissurado em estatísticas, chega a ser “chato” na busca de dados históricos para rechear seus argumentos e opiniões. Quando o Palmeiras está em pauta, PVC parece fazer questão de sempre se posicionar contra o que pensa o torcedor palmeirense. Fez um estudo minuncioso pra defender que o Palmeiras não seria campeão mundial em 1951. Em outro estudo detalhado, foi contra a unificação dos títulos nacionais do Robertão e Taça Brasil, que apenas ratificou o Palmeiras como o maior campeão nacional. E apesar de defender que o Palmeiras tem o direito de buscar a anulação do jogo contra o Inter e que isso não o apequena, sustenta: manteria o resultado do jogo, apesar da interferência externa ilegal. Pois é. Sobre o penalti cometido no Barcos no mesmo lance, nada disse

Antero Greco é um cara que eu gosto muito. O amigo do amigão é palestrino, sim, senhor! E é mais um exemplo de jornalista palmeirense. É veementemente contra a investida do Palmeiras contra a decisão do árbitro anular o gol do Barcos. Assim decretou em seu blog:

Gol de mão é desonesto, gol de mão não é lícito, gol de mão não deve ser encarado como malandragem. Não importa se vale título ou luta contra o rebaixamento. Desonestidade é desonestidade, seja qual for a circunstância. E, no entanto, muitos alegam, com postura que lembra aquela de crianças contrariadas, “ah, mas para os outros vale” .

O penalti no Barcos? Nada.

Erich Beting é meu amigo de infância. Só eu e ele sabemos o quanto era difícil ser palmeirense na época do colégio em que estudavamos, em anos diferentes. Consegui com ele comprar, no dia do lançamento, a primeira camisa da era Parmalat, o item mais antigo do Verdão que tenho na minha coleção. Eu fui embora daquela escola em 1992, não tive a chance de comemorar a redenção no ano de 1993 com o Erich. Assim como o tio Joelmir e o primo Mauro, Erich se tornou jornalista. Escreve no Negócios do Esporte, blog sobre marketing esportivo. Em A ética e o esporte, o Erich defende:

o absurdo que se apresenta é a tentativa desesperada do Palmeiras de anular uma partida por causa da tomada de decisão do árbitro auxiliada pela televisão.” 

E conclui: 

“Quando um clube cogita prejudicar o outro porque sentiu-se prejudicado por conta de uma trapaça que fez e não foi bem-sucedido, temos a síntese de que ética é uma palavra que não consta no vocabulário do esporte. Ou, pelo menos, está colocada num segundo plano.” 

Perfeito, assino embaixo. Mas e o penalti no Barcos antes da mão na bola, não podia ter sido usado o recurso da tv pra marcar o penalti ao invés de apena anular o gol? cri cri cri… Sem explicação.

O que têm de comum os 3 jornalistas citados acima, além do fato de serem extremamente competentes e, também, palmeirenses? Nenhum dos 3 enxergou o tema com os mesmos olhos que o torcedor palmeirense, mas apenas de jornalistas. Perfeito, mais uma vez não me ponho a criticar. Afinal, estão ali exercendo a profissão, antes de mais nada. Talvez numa mesa de bar ouvíssemos opiniões um pouco diferentes… Aposto nisso.

Mas é certo que, mesmo sendo jornalista, e dos bons, há espaço pra defender a palestrinidade sem medo de ferir os princípios do jornalismo. Exemplo é o Mauro Beting, o primo do Erich. 

Mauro escreveu dois textos sobre o famigerado lance do Beira-Rio, Recursos e Recrutas Eletrônicos, e Erros Desumanos. No primeiro, depois de repudiar com afinco a interferência externa no resultado, terminou dizendo:

Revendo o lance, a reclamação de muitos palmeirenses é válida: antes de enfiar o braço na bola, Barcos é agarrado por Índio. Seria pênalti. Como vários semelhantes acontecem. E raramente são marcados. Com ou sem televisão.”

Já no segundo, foi categórico: 

arbitragem brasileira erra na mão indiscutível de Barcos. Erra ao não marcar o discutível agarrão de Índio antes do toque de mão. Erra ao aceitar a interferência escamoteada da televisão para ver o que o mau árbitro em má fase não viu, e o que assistente adicional não assistiu e não adicionou.

O erro maior é se basear na ajuda ilegal. É fora da regra e de propósito e do espirito de isonomia do esporte aceitar o recurso eletrônico. Ainda que seja para evitar erro capital.

(…)

O que não pode é justiceiro fazendo justiça arrepiando a lei. Milícias de apito reinando na anarquia. International Board não liberou o uso das imagem na interpretação da regra do jogo. E faz muito bem. Muitos lances não têm definição depois de dias de discussão. Muitos deles são interpretativos. Não existem máquinas capazes para discernir e analisar intenção (no caso de mão na bola) ou uso de força excessiva, imprudência ou temeridade para a marcação de infrações. Mesmo impedimentos precisam ser interpretados quanto à influência do impedido na jogada.

Apenas bola fora ou dentro da meta é fato. Ainda assim discutível a olho (ou coração) humano.

O debate deve permanecer. Até pelo avanço tecnológico. O que não pode é o combate à regra com artimanhas ilegais e não disponíveis em todos os jogos do campeonato.

Algo que nem precisaria ser discutido. Como a reclamação de quem quer validar um gol irregular.

Erros não justificam outros. Por mais doloridos que sejam.

A discussão maior não é mais a respeito de um grande erro de fato. É o grave erro de direito cometido para arrumar o errado. Não é saber se o Inter será prejudicado ou o Palmeiras ajudado. É evitar que o futebol como um todo seja mais uma vez lesado. Não é a pequena fotografia do lance. É o grande quadro do futebol.

Taí um palmeirense jornalista. Sem medo de errar, e não errou, abordou a questão pelo lado jornalístico sem esconder a visão palestrina da questão. É tão difícil assim? 

Realmente não sei dizer. Afinal, não sou jornalista, sou advogado. Um palmeirense advogado.

AVANTI PALESTRA! PRA CIMA PALMEIRAS!

Publicado em 31/10/2012, em Geral. Adicione o link aos favoritos. 12 Comentários.

  1. João Flavio Amaral

    Gostei muito do blog e gostaria de deixar um link de um video que fiz para a nãção palmeirense. É uma Paródia de Amor de Chocolate do Naldo em homenagem a nossa paixão verde e branca. Segue:

    http://www.youtube.com/watch?v=A5Ac_A4VuGE

    Abraços

  2. Parabéns Maluqinho!!!! Brilhante leitura sobre os “palmeirenses jornalistas”. O que vemos, realmente é que, na hora do vamos ver, todos querem ser mais realistas que o rei, fazendo média com “não sei quem” e, desde que tenho acompanhado o futebol com mais ênfase, o único dos “jornalistas palmeirenses” a ver a realidade dos fatos é o Mauro Beting, já os outros…sem mais!

  3. Fábio P. R.

    Na verdade é uma das pouquíssimas vezes em que vejo Mauro Beting sendo “palmeirense jornalista”. Ele costuma falar muitas bobagens, na ânsia de parecer ou ser imparcial. Ele inclusive brinca com isso, dizendo certa vez que sua própria mãe lhe manda mensagens de texto chamando-o de corinthiano, hehehe.

  4. Bruno Finotello

    Tá certinho, Maluquinho.Parabéns!!!

    Abs,

  5. Excelente!…Pena que a nossa única voz jornalística (na imprensa gambá) seja o Mauro Betting…ainda bem que temos o seu Blog maluco. UFA!!! abraço!

  6. Como sempre um texto perfeito Maluco,o único jornalista Palmeirense que ouvi defender com unhas e dentes nosso palestra foi o André Galvão daquela FM Gambá.

    Outro que acho que sempre se esconde é o Maurício Noriega.

    abç…

  7. EM UMA UNICA PALAVRA
    ……………PERFEITO……..CONGRATULATION!!!

  8. Amigo, o que acontece é que os “jornalistas palmeirenses” fazem questão de parecer isentos e por vezes, se atropelam ao querer mostrar que não estão sendo parciais. Se forem parciais, a maioria gambá e bambi boicota tal jornalista e se ele não “vende” é demitido.
    No caso dos “jornalistas gambás” e “jornalistas bambis” acontece exatamento o contrário. Fazem questão de serem parciais e ainda contam com a simpatia da torcida do seu time.
    Note, por exemplo, que ex-jogadores “comentaristas gambás” gozam de maior prestigio dentro das emissoras.

  9. Perfeito….a unica explicação plausivel para esses 3 jornalistas citados, é o RABO PRESO COM ALGUEM….sao falsos torcedores que se venderiam facilmente por alguns trocados, quem sabe,pq na verdade nas veias não corre o Sangue Verde que temos e tanto nos orgulhamos…3 pseudo jornalistas que teem VERGONHA de suas origens e raça, que fazem com que nós verdadeiros palestrinos termos , nós sim, vergonha deles. Parabens Advogado Palmeirense , tenho orgulho de poder contar com sua amizade. Um Cirurgião Dentista Palmeirense.

  10. Renato Vieira

    fantástico!!!!

  11. Ainda bem que dessa vez ele defendeu o palmeiras porque javi muitas vezes ele se esconder como muitos outros que vc sitou

  12. Gerson Guarino

    Um dos seus melhores textos . Sensacional. Parabéns !

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