A Noruega, Guantánamo, o Brasil e o gol de Barcos*

ethos de uma sociedade costuma se exprimir de várias maneiras, mas fica especialmente visível quando ela precisa lidar com situações extremas. É nos momentos de resolução de problemas que uma sociedade responde ao mundo o que rege seu comportamento.

Vejamos alguns exemplos recentes. Quando o terrorista Anders Behring Breivikmatou mais de 70 pessoas em Oslo e na ilha de Utoya, a Noruega ficou traumatizada. Um amplo debate se seguiu a respeito do que fazer com Breivik, mas a Noruega decidiu simplesmente aplicar a lei. Breivik foi condenado a 21 anos de prisão, a pena máxima, que pode ser convertida em perpétua à medida que a justiça, de tempos em tempos, se reunir para decidir se ele representa ou não risco à sociedade. Muitos comentaristas não-noruegueses se indignaram com pena curta, mas a Noruega conseguiu retomar a normalidade sem mudar as leis de forma casuística, tornando-as mais severas, ou adotar chicanes para ampliar a pena do terrorista. Como disse o primeiro-ministro Jens Stoltenberg, Breivik falhou, pois não conseguiu o que queria: mudar a Noruega.

Os Estados Unidos lidam de forma diferente com terroristas (e supostos terroristas). Hoje, o país onde a maioria dos políticos defende a exportação do ideal de liberdade e democracia, mantém detidos, sem julgamento e muitas vezes sem provas, alguns acusados de terrorismo. Hoje, diz-se, eles são mais torturados. Há críticas a Guantánamo, mas os EUA convivem tranquilamente com esta situação. Tudo em nome da segurança. Nada de novo para um país que destruiu reputações, carreiras, famílias e vidas de cidadãos americanos em nome do combate a uma ameaça que não existia: a implantação do comunismo nos Estados Unidos.

A sociedade brasileira está, de forma inequívoca, no campo dos Estados Unidos. Em temas sérios ou supérfluos, vale tudo em nome de uma causa maior. Foi assim em 2011, quando a Justiça decretou a ilegalidade da operação Satiagraha da Polícia Federal. Em nome do combate à corrupção, defendia-se que uma das instituições cujo dever máximo é proteger a lei descumprisse essa mesma lei para punir os supostos criminosos. É assim quando a Polícia Militar mata suspeitos. Em nome da segurança, sobram vozes para defender execuções ilegais, cometidas por policiais. No Brasil, chega-se ao cúmulo de eleger candidatos que defendem essas práticas.

Ainda que as dimensões sejam completamente diferentes, a mesma lógica vale para o gol anulado de Barcos, do Palmeiras, contra o Internacional. Não há dúvidas de que houve uma ilegalidade. Ela é flagrante e condenável. Ainda assim, caso seja confirmada a suspeita de que o árbitro Francisco Carlos do Nascimento teve ajuda externa (o que não é uma novidade nem para ele nem para o futebol brasileiro) estaremos diante de um caso semelhante. Caso tenha feito isso, o árbitro simplesmente resolveu modificar as regras do futebol para, ilegalmente, anular o gol ilegal. Ao contrário do que muitos dizem, isso não é justiça. É “justiçamento”.

Como mostrou Fernando Graziani, provas obtidas de forma ilegal não são válidas no Brasil. É assim para evitar perseguições, garantir que a lei seja uma só para todas as pessoas, enfim, para impedir o caos. Tão mais grave é a ajuda externa diante da validação do gol ilegal que o Código Brasileiro de Justiça Desportiva diferencia os dois. O primeiro é um erro de fato, ao qual qualquer árbitro está sujeito e que faz parte do futebol. O segundo é um erro de direito que, como diz o § 1º do artigo 259 no CBJD, pode anular uma partida se for “relevante o suficiente para alterar seu resultado”.

Diante da política ou da violência, o futebol é um assunto menor. O episódio ocorrido no Beira-Rio, no entanto, serve para mostrar como, no ethos da sociedade brasileira, está a selvageria. Em qualquer tema, há sempre uma turma messiânica, pronta a pegar em tochas e garfos de feno para, em nome de uma determinada causa, queimar bruxas e sacrificar qualquer coisa. Isso ajuda a mostrar por que, lamentavelmente, estamos tão longe der ser uma democracia liberal como a da Noruega.

* Texto de José Antonio Lima, no Blog Esporte Fino.

Era isso que eu estava tentando escrever e argumentar nos últimos dias, mas não tive capacidade pra fazê-lo.

Assino embaixo.

Sobre a suspensão dos pontos do jogo contra o Inter, não é motivo para nenhuma comemoração. Trata-se de uma medida preventiva e protocolar, significa apenas que a reclamação do Palmeira foi aceita, porque foi realizada no prazo e forma regulamentares, e agora será analisada em seu mérito. Não é, como pintaram por aí, indício de que o Palmeiras sairá vencedor nessa disputa.

Mas nós metemos o asterisco na Tabela. Já não era sem tempo que o Palmeiras adotasse uma medida enérgica e drástica, do time que todos os anos é o mais prejudicado e o menos beneficiado pelos erros de arbitragem. É pra acabar de uma vez por todas com esse papo hipócrita de que juiz erra pros dois lados. Só se for dos 2 lados que a CBF quiser.

Num futebol comandado por uma entidade privada putrefata, com interferência direta de um tribunal não menos privado que tem em suas bancadas verdadeiros torcedores, em sua imensa maioria, dos times do Rio de Janeiro, chega de deixar barato.

Hoje o Palmeiras estaria pelo menos na 13ª posição, pra não falar 9ª, não fossem os infindáveis erros de arbitragem cometidos contra o clube.

Não vi nenhum dos ilustres comentaristas que chamam o Palmeiras e Barcos de hipócritas, defender, por exemplo, que o jogador do Cruzeiro deveria ter confessado que o pênalti marcado sobre ele, na verdade, tinha sido fora da área. Isso sim é hipocrisia. Porque o juiz só pode interferir no resultado contra o Palmeiras mas quando é a favor, parece até caso de crucificação?

Num universo sujo e imundo como o futebol deste país, querer que só o Palmeiras se comporte como coroinha, como o honestinho, devia ser motivo de vergonha alheia. Depois, o Palmeiras só está buscando os seus direitos, como muito bem defendido no texto acima.

E só lamento por quem pensa diferente.  

AVANTI PALESTRA! PRA CIMA PALMEIRAS! 

Publicado em 31/10/2012, em Geral e marcado como , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. To com NOJO do futebol brasileiro.
    Mas algo tem q ser feito e se for pro Palmeiras mais uma vez “pagar o pato”, como em 2002 que caiu e TEVE que jogar a Série B, sem ajudinha né FLORMINENSE, sem viradinha de mesa, que seja com os pés no peito da CBF, zuando essa porra de campeonato que apesar da nossa incompetência dentro de campo, fomos MUITO prejudicados por “forças externas”.
    Pau no rabo da CFB e seus delegados lixos…pnc da impresnsa nojenta e gambá.

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