Jumento Verde

Ia fazer um post aqui chamado @JumentoVerde, que ia ser pra criticar essa cambada de desocupados que fica no twitter – no anonimato, diga-se – com nomes tipo empresário verde ou coisa que o valha – espalhando todo tipo de mentira sobre contratações de jogadores, como se fossem pessoas de muita influência com os dirigentes do clube.

Mas, depois de ter lido as declarações do Judas30 na sua apresentação no Gremio, assim como o sensacional post do Barneschi no Forza Palestra, resolvi voltar no tempo, nesses 14 meses de Blog, pra lembrar o que eu já tinha escrito sobre o canalha aqui no Blog.

E, de trás pra frente, nao precisei ir nem um pouco longe… o Post #2 – manto de aço (que inexplicavelmente nos meus dias de beginner blogger, apesar de ter sido o segundo escrito e publicado aqui, aparece como a primeira publicação de todos os tempos do Maluco pelo Palmeiras), com uma foto da apresentação do Judas, discorria sobre como pesa a camisa do Palmeiras e como é difícil que parte dos jogadores que são contratados pelo clube joguem bem e tenham a mesma identificação que o Marcos, que o Pierre e que… bom… o Judas. Hã???????

Leia o tal post ao final, quem tiver paciência – e estômago HAHAHA.

Aí caiu a ficha… O Jumento Verde sou eu. E todos os outros palmeirenses que, assim como este blogueiro, se deixaram esquecer com uma facilidade ímpar – talvez turbinada pela escassez de títulos e conquistas – que identificação com o Palmeiras quem tem somos nós. Quem torce pelo Palmeiras é a gente, e não os jogadores. Estes estão aqui porque são pagos – e muitíssimo bem – para estarem aqui e trabalharem pelo clube.

Ao final de toda essa novela do Judas, se apresenta uma grande oportunidade pra muitos da nossa torcida, eu incluído, deixarmos de ser  verdadeiros Jumentos Verdes. São palmeirenses como eu que, depois de mais um ano de desempenho ridículo do time, depositam toda sua esperança de dias melhores na figura de um cara que, muitas vezes, nem tem capacidade intelectual de entender a responsabilidade que é carregar no peito o P branco guardado pelo escudo verde, muito menos o encargo que a torcida deposita nele.

E não entende porque não conhece a trajetória de glórias do clube, não viveu ou nem era nascido nos anos difíceis sem títulos, na fila. Porque não esperou 14 anos pra ver o time campeão pela primeira vez. E porque provavelmente nem gostava do Palmeiras – isso se nao era membro da organizada rival – antes de rechear os bolsos com o dinheiro do clube.

E podia continuar, mas acho que ficou claro… A gente que ama o Palmeiras tem que acreditar na nossa camisa, na força da nossa arquibancada, da nossa história e, é claro, naqueles pouquíssimos que passam por aqui com a honradez que deles se espera. Pouquíssimos. O resto, é gado. É irrelevante. Não é nada perto do que é o Palmeiras.

Principalmente, que fique claro pra mim, e pro resto da jumentada, que identificação com o clube o cara tem quando é vencedor no clube por várias e várias vezes, ou então porque defendeu nossas cores por anos a fio sem se entregar às tentações do mercado do futebol. Não é qualquer vagabundo que ganha um paulista ou joga 12 meses no clube que pode ser alçado a essa condição. E isso não vale só pro Judas, que fique muito claro…

Enfim, espero estarmos (eu e vocês) vacinados dessa jumentice toda. Vai ser difícil outro vagabundo feito o Judas ter a minha confiança. Ah, se vai…

Com vocês, o texto do ex-Jumento Verde (que merece um prêmio especial também pela ode ao Armero…), hoje apenas mais um vacinado e desiludido Maluco pelo Palmeiras:

Amigo Palmeirense,

Já vou começar tentando não cornetar este ou aquele jogador. Mas a cada dia que passa fico mais convencido de que vestir o manto verde não é pra qualquer um. Ou melhor, é para pouquíssimos. É de impressionar a quantidade de jogadores “boas promessas” nos clubes de origem que chegam ao Palmeiras e simplesmente não conseguem manter a mesma regularidade que os fez serem contratados.http://palestracampione.blogspot.com/2010_06_01_archive.html

Sem dar nome aos bois, é claro que uma parcela considerável não tem condições de vestir a nossa camisa. Mas o que assusta são os jogadores que são bons, que tem lugar em qualquer time do país e que, quando vestem o uniforme do Palmeiras, parecem entrar em campo com duas chuteiras esquerdas…

A impressão que fica é que a camisa pesa demais. Mais que qualquer outra. Pesa pros nossos adversários, que se borram de olhar entrar em campo o exército verde empurrado pela torcida incondicionalmente fanática. Exemplo claro disso foi o recente jogo contra o Vitória, pela Sulamericana, que o Palmeiras ganhou com a força do nome, na raça, na superação, na adversidade. Podia parar por aí, né?

Mas não pára. Porque a camisa pesa demais pros recém-chegados. Atletas que por vezes são bons e que simplesmente não conseguem acertar passes de 2 metros.Coisa pra deixar até o mais paciente palmeirense irritado com San Genaro…

Acho que muitos podem ser os motivos. A carência de títulos de expressão nos últimos anos faz com que a paciência de boa parte da torcida seja mínima. No segundo passe errado, já tem sujeito xingando e pedindo a cabeça do novato. Mas, se quer jogar em time grande, vai ter que segurar a onda, ter personalidade, não pode se abater.

Eu fui um dos poucos que lamentou a saída do Armero. Não, eu não sou louco. Sem dúvida, não é jogador do nível que o Palmeiras precisa. Mas não vou esquecer as lágrimas no jogo contra o Corinthians no Paulistão, depois de ser substituído, o pedido de desculpas público ao torcedor pelos lances infelizes, a promessa de que ia melhorar, a dança em forma de deboche e desabafo na Vila Belmiro… Era um cara de fibra. Jogava com o coração, errava muito mais por afobação e excesso de vontade, do que por conta da  ruindade, muitas vezes evidente. Só que era muito mais comprometido com o Palmeiras do que muito jogador que está aí hoje.

Não vou nem começar a falar da situação política do clube que, na minha opinião, também tem parcela considerável de responsabilidade no desempenho do time. Ambiente conturbado fora de campo também pesa nos jogadores em campo.

A verdade é que nem todo jogador se identifica com o clube como Kléber, Marcos e Pierre. Muitos vem pra cá e em pouco tempo só pensam em carro, mulher e balada e esquecem que são jogadores de futebol, né Marquinhos? [ops, eu não ia falar nomes…]

E é pra isso que a categoria de base tem que servir. Criar talentos, mas, principalmente, criar identidade do jogador com a tradição, com a história do Palmeiras e, especialmente com a responsa de vestir esse manto de aço que é a camisa do Verdão. Se já não é pra qualquer um torcer pelo Palmeiras, que se dirá de entrar em campo pra defender nossas cores?

Putz, esse post já está gigantesco… com o tempo, eu pego o jeito. Ou pelo menos assim espero.

Avanti Palestra!”

AVANTI PALESTRA! (sempre com letras maiúsculas, porra!)

  

Publicado em 23/11/2011, em Geral e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. Também lamentei a saída do Armero pela mesma razão, e me junto a nação de equínos torcedores do Palmeiras

  2. Sad but true.. excelente texto! Parabéns! Espero que deixemos cada vez mais de ser jumentos verdes…

  3. Chorei! parabéns me considero + um Jumento verde também.

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