Quando o Santo Parar – Episódio Final (por enquanto…)

Essa seção do blog para por aqui, momentaneamente. Não, eu não acho que a carreira do nosso ídolo maior se resuma a uma quadra de momentos espetaculares. Muito pelo contrário, a carreira do Marcão é uma constelação de milagres e glórias que precisariamos de centenas de posts pra contar tudo que o Santo já fez de espetacular por ai…

O que acontece é que este blogueiro está participando de dois projetos relacionados a este mesmo tema. Os dois, por enquanto, seguem sendo desenvolvidos sem qualquer divulgação. Vamos manter assim, até o momento oportuno.

Não seria lógico que continuasse desenvolvendo conteúdo aqui e conteúdo lá. Por isso, darei prioridade aos projetos, muito mais grandiosos que a brincadeira de manter este blog a cada dia.

Pois bem.

Quando o Santo Parar, um dia igual a 06 de junho de 2000 dificilmente se repetirá. Vamos aqui tentar a díficil tarefa de recontar a história que todo palmeirense conhece de cor e salteado.

Uma semana antes, iniciava-se o segundo duelo do século, Palmeiras e Gambás num mata-mata pela Libertadores. Em 99, eliminamos a gambazada nas quartas-de-finais do torneio, a cereja do bolo que foi a conquista da América. E lá estavam os sarnentos de novo à nossa frente, dessa vez pelas semi-finais do torneio sulamericano.

E o time da gambazada era só badalação. Havia ganhado o torneio danoninho em janeiro, que eles insistem em chamar de “Mundial” (e que não passou de um Mundialito, como bem explicou Roberto Carlos – nada mais do que um desafio de futsal ou algo que o valha). E era o time bi-campeão brasileiro, em cima dos dois mineiros moribundos e com muito auxilio do apito, como sempre.

Mas era um time forte, formado por Dida, Fabio Luciano, Rincon, Ricardinho, Marcelinho, Luizão, Edilson… Do nosso lado, além do Santo no gol, contávamos com Rogério, Argel, Roque Júnior e Júnior; César Sampaio, Galeano e Alex; Pena, Marcelo Ramos e Euller. E no banco, Felipão.

Que não se conformou com a injusta derrota sofrida na primeira partida, por 4×3.

o preto e branco não foi proposital, mas deu um ar de emoção…

No vestiário, sobrou pro capetinha e pra “porra do Corinthians”:

O Palmeiras precisava ganhar de pelo menos 1 gol de diferença, pra forçar a disputa de penaltis. Ia enfrentar o maior rival valendo uma vaga na final da Libertadores e em desvantagem. Mas, aqui é Palmeiras!

Começa o jogo e, numa bola do Junior, sobrou pro Euller fazer Palmeiras 1×0. Do outro lado do campo, o Santo ajoelha no gramado e levanta as mão ao céu, como se soubesse o que o destino lhe reservara para mais tarde naquela noite.

Aos 40 do primeiro tempo, depois de muito pressionar, sempre parando nas mãos do Santo, Luizão empata pros Gambás, de cabeça. As coisas começavam a se complicar pro Verde.

E logo no começo do segundo tempo, num chute da entrada da área, Luizão venceu de novo o Santo. Fechou a fatura? Nunca!

O Palmeiras foi pra cima e, numa pintura de Alex, um dos segundos gols mais bonitos de sua carreira em Palestra Itália, empatou o jogo.

O Palmeiras apertava e os Gambás batiam. Até que, aos 25, numa falta cobrada por Alex, Galeano virou pro Verdão. Um gol daqueles meio espíritas, numa bola que estava quase fora do campo, pra lavar a alma do palmeirense, pra tremer a gaiola das loucas. E fomos para os penaltis.

De novo, pelo segundo ano seguido, decisão de Libertadores contra os Gambás nos penaltis. No ano anterior, Vampeta e Dinei perderam, mas chutaram pra fora, o Santo não tinha feito nenhuma defesa.

O Palmeiras iniciou a série e fez o primeiro, e o Corinthians empatou. E assim ocorreu até o quinto penalti. Marcelo Ramos, Roque, Alex, Asprilla e Junior haviam convertido suas cobranças contra Dida.

Foi então pra cobrança Marcelinho. Marcos havia pulado o primeiro penalti, de Ricardinho, pra esquerda. Os outros três, pulou no seu canto direito, sem sucesso.

Marcelinho ajoelhou, daquele jeito ridículo que ele sempre fazia, e arrumou a bola. Tomou distância. Voltou pra bola e a ajeitou novamente. Parecia tentar ganhar tempo pra descobrir como vencer o maior goleiro de todos os tempos. Se preparou pra bater e, naquele momento, a Terra parou de girar, como se todas as pessoas prendessem a respiração naquele mesmo instante… Silêncio ensurdecedor no Panetone…

Bola chutada forte a meia altura, no canto direito do Santo que, num vôo impossível pra qualquer humano, se lançou na direção daquela maldita pra defender a penalidade e mandar o Gambá pra casa… No mesmo impulso, o camisa 1 (numeração obrigatória dos titulares era de 1 a 11) se levantou com os braços pro ar e correu em direção à bandeirinha de escanteio, finalizando com o peixinho mais lembrado de toda a história do futebol, bem em frente  à galinhada.

Ser Santo tem dessas coisas. Marcos havia tomado 6 gols em 2 jogos e em menos de uma semana. De quebra, o Palmeiras ainda havia sido eliminado pelos Sardinhas da semi-final do Paulista, mais 3 gols. 9 gols em uma única semana jamais foi compativel com a carreira do maior goleiro do Mundo. Os incrédulos não botavam mais fé nele, talvez por conta do segundo gol sofrido naquela partida, quando a bola passou por debaixo do Santo.

Mas, nem por um momento, o palmeirense duvidou que seria das mãos de São Marcos que sairia a classificação e a eliminação dos Gambás. Era como tinha que ser, do pé do mais odiado pras mãos do mais amado. Simplesmente épico, inesquecível. Um verdadeiro milagre, desses que só o Santo faz, que continuará sendo lembrado pelo palmeirense como se fosse o primeiro título de janeiro de 1915, que será contado de pai pra filho sempre que, daqui há 30 anos, visitarem o busto de São Marcos de Palestra Itália nas alamedas da Sociedade Esportiva Palmeiras.

Coisa que dificilmente veremos, quando o Santo parar.

AVANTI PALESTRA! AVANTI SÃO MARCOS DE PALESTRA ITÁLIA!

Publicado em 14/04/2011, em Quando o Santo Parar e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Olá, tudo bem Daniel?
    Acompanho seu blog ja faz um tempo. O que me chamou atenção foram seus tópicos falando do Marcos. Bom…gostaria muito de conversar com você. Irei fazer (se Deus quiser) um TCC sobre ele. Já fiz alguns contatos no Palmeiras, mas com ele propriamente ainda não. Estou no 3° ano de jornalismo. Vi que você assim como eu e como todo bom palmeirense acha esse goleiro incrível! Teria como você me passar seu e-mail? Desde já, obrigada! Até mais, parabéns pelo blogo!

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