Mais que um clássico

Ontem li no Facebook de um gambazão que nós estávamos falando desse jogo do próximo domingo como se valesse título. Discurso típico de derrotado é esse tal de  “não vale nada”.

Palmeiras e Gambá vale TUDO. Senão vejamos:

1917 – O PRIMEIRO JOGO

Foi em 06 de maio de 1917. Os Gambás estavam invictos há 25 jogos e três anos, mas toda boa freguesia começa com um cartão de visitas: 3×0, no Palestra e pro Palestra, 3 gols de Caetano. Logo de cara, já se criou um dos mitos desse clássico: o Palmeiras ter um mesmo jogador marcando 03 vezes contra os Gambás em um único jogo. Feito este repetido por jogadores como Imparato, Magrão, Cristiano e Obina, e superado apenas por Romeu Pelicciari (feito que logo adiante vamos registrar).

1920 – O PRIMEIRO PAULISTÃO

Em sua coluna do 3vv, o Jota Christianini, um acervo histórico ambulante do Palmeiras, conta que desde a fundação do Palmeiras em 1914, a obsessão do clube era a conquista de um título paulista, feito que por pouco não ocorreu nos idos de 1917 e 1919.

Foi em 1920 que teve início a freguesia, justamente na conquista do primeiro paulistão pelo Verdão. O Palestra e os Gambás terminaram empatados com 26 pontos o campeonato. Embora o Verdão tivesse apresentado a melhor campanha, o regulamento determinava um jogo extra para determinara o campeão.

Diz o Jota que os relatos da época dão conta de que a cidade parou em razão da decisão. Não se falava me outra coisa, a Federação da época subiu o preço dos ingressos. E no fim das contas, prevaleceu a lógica: 2×1 Palestra, e o nosso primeiro título paulista faturado em cima da gambazada.

1933 – A MAIOR SACOLADA

Em agosto daquele ano, o Palestra já tinha ido na Fazendinha e sapecado 05 no lixão. Agora, era a vez da favela vir até o Palestra. O jogo foi no dia 05 de novembro de 1933.  Um domingo qualquer, mas como nenhum outro, como conta o Jota. Logo de cara, Romeu Pelicciari guardou três, isso ainda no primeiro tempo. Começa o segundo tempo e com menos de um minuto, Gabardo faz o quarto. Aos 7, Romeu faz o seu quarto gol no jogo, feito até hoje jamais repetido. Basta? Não, senhor, mais 03 gols de Imparato pra fechar o caixão. 8×0! OITO!

Dizem que a torcida dos Gambás invadiu a sede do clube e teve quabradeira e até incêndio. O presidente e o diretor de futebol dos Gambás “caíram” depois da partida.

1974 – SAIR DA FILA, AQUI NÃO!

Os Gambás já estavam 20 anos sem título. O último foi ganho justamente contra o Palmeiras, em 54, num jogo que acabou 1×1. Eis que mais uma vez os dois clubes iam decidir o Campeonato Paulista. 22 de dezembro de 1974, a confiança da Gambazada era imensa, tanto que a imensa maioria dos mais de 120 mil pagantes, maior público do clássico, era de favelados.

Mas, em cima da gente, rival não sai da fila. 24 minutos do segundo tempo, bola passada por Leivinha

(como o próprio Leiva contou pra mim, pro Guina e pro Saleta) para o gol de Ronaldo, calando todo o lixão. 1×0, pro Verdão e os palmeirenses do Estádio gritavam: Zum Zum Zum, é 21!

Dizem que um certo empresário de calçados da Zona Leste tinha mandado fazer 100 mil camisas do suposto título paulista. Imagino que fogueira bonita que devem ter virado…

1993 – SAIR DA FILA, AQUI SIM!

Essa eu posso contar sem recorrer aos historiadores! Sábado nublado, 12 de junho de 1993, dia dos namorados, finalíssima do Paulistão. Já se iam quase 17 anos desde que o Palmeiras tinha sido campeão a última vez, em 76.

O time com Sérgio, Claudio, Antonio Carlos, Tonhão e Roberto Carlos, Daniel Frasson, Mazinho, Zinho e Edilson, Edmundo e Evair havia sido derrotado uma semana antes por 1×0, jogo do “gol porco”.

O palmeirense tava com sangue nos olhos. Jogo do mais tenso até que, aos 41 do primeiro tempo, a bola vinha sendo conduzida pelo Edmundo, falta nele do henrique, o juiz deu vantagem, a bola sobrou pra Evair que achou Zinho na entrada da área, chute colocado, mas sem muita força, e abola foi devagarinho, quase como se os segundos durassem horas, rolando bem pro canto direito do gol de Ronaldo, quase rente à trave… GOOOOOOOOOOOOOOOLLLLLLLLLLLLLLLLLL!

Bom, o resto vocês já sabem (e eu não consigo não ir às lágrimas quando vejo esse vídeo e o Silvério dizendo – E agora eu vou soltar a minha voz!):

1994 – BICAMPEÃO PAULISTA – DE NOVO EM CIMA DELES

O Palmeiras já tinha sido campeão no meio daquela semana, mas o último jogo era justo contra os vira-latas. Não era final, MAS ERA FINAL! Ganhar o título e perder pros Gambás não teria o mesmo sabor. Ainda bem que aqui é Palmeiras e mais uma sapecada pra cima deles:

Detalhe pro Gato Fernandez no vídeo AHAHAHAHAH

1994 – ATÉ BRASILEIRO

A rivalidade entre Palmeiras e Gambás nunca tinha sido posta à tão árdua prova (até então), do que em 1994, quando os dois times disputaram a final do Campeonato Brasileiro. E, de novo, sobramos em campo. 3×1 no primeiro jogo, show de RIvaldo e 1×1 no segundo, garantiram o bi-brasileiro em cima dos cachorro, mais um feito que eles nunca conseguiram…

Narração do segundo gol é do bosta do Galvão. Mas o RRRRRRRRRRRRRRRRRRRIvaldoooo é da hora!

1996 – PAULISTÃO

O time dos 102 gols, a segunda maior máquina de fazer gols, segundo a VW, 

também não deixou barato pra Gambazada e castanhou 3×1 neles, num jogo pra lá de inusitado:

O primeiro gol aos 40 segundos de jogo, e a comemoraçao mais esquisita já vista, protagonizada pelo Djalminha. 2×0 num golaço do gago Júnior, que também não deixou barato e foi dançar o Tchan. Djalminha e Edmundo foram expulsos, um a menos pra cada lado (isso, aliás, não teve nada de inusitado…). e o terceiro gol do Palmeiras foi num cruzamento de Cafu para Célio Silva deixar o dele, contra…

O Palmeiras é desde então e até hoje, o time que mais gols marcou numa edição do Campeonato Paulista.

1999 – LIBERTADORES I

São nas batalhas mais épicas que surgem os verdadeiros ídolos. Se essa frase tem alguma verdade, a prova dela se chama Marcos. Ele que, de terceiro goleiro, foi alçado à titular exatamente nas quartas-de-finais da Libertadores da América, obsessão alvi-verde que dias depois se tornaria realidade. Ele que, de umdesconhecido camisa 12, tornou-se São Marcos, o goleiro dos maiores milagres antes vistos, o maior goleiro do Mundo.

Primeiro jogo, 2×0 pro Palmeiras, muda das atuações mais impressionantes de um goleiro. Surge o ídolo:

E no segundo jogo, 2×0 pra eles, e aí, cobrança de penaltis, surge o Santo:

O Palmeiras, quatro jogos depois, conquistaria a América.

2000 – LIBERTADORES II

Novamente, o Bem e o Mal se cruzam na Libertadores. Dessa vez, semi-final. Quem ganhasse pegaria o Boca na final. E lá fomos nós… primeiro jogo, 3×1 pros caras, o Palmeiras consegue empatar e num lance dos mais cagados, os Gambás fazem o quarto gol no fim do jogo.

Na semana seguinte, o Palmeiras tinha que ganhar por 2 gols. Vitória simples levaria aos penaltis. E o juiz, pra quem não lembra, era o Edilson, só pra piorar.

O vídeo do Gabriel Santoro no youtube descreve bem melhor do que quaisquer palavras o que foi o chamado jogo do Século:

Mais uma vez, o Palmeiras superava os morféticos na Libertadores.

ESPECIAL – VALDÍVIA

Nunca um jogador incorporou tanto o espírito do torcedor quando se trata de um Palmeiras x Gambá. O Mago entendeu que o torcedor gosta de ver eles sendo humilhados, judiados sem dó. E assim o foi, sempre que El Mago enfrentou a favela:

Eu dava um braço pra ver ele entrando amanhã! Ia ser do CARALE-O! Quem sabe não brilha uma surpresa ai…

E esses são apenas os mais marcantes de todos os outros jogos em que entram em campos o Palmeiras e o Gambá. Nunca não valerá nada. Nunca.

No ano passado, o Palmeiras vinha de 03 anos sem perder pros favelados e acabou perdendo duas vezes, e só não venceu o jogo que terminou empatado porque, pra variar, fomos assaltados pela arbitragem.

Amanhã, Antonio Rogerio Batista do Prado, juiz de Campinas, será o encarregado do apito. Fica esperto, mano!

E nunca tivemos com tanta chance de espantar de vez a má fase dos últimos dois anos do que no jogo deste domingo, em que nem mesmo a galinhada tá abusando da sorte: dos 18 mil ingressos que tinham sido vendidos até sexta-feira, 15 mil foram pro Palmeiras.

Sempre vale alguma coisa. Pra nós, a paz que há muito anos não se via. Pra eles, um folegozinho pros jogadores e comissão técnica. Depois do vexame de quarta-feira, uma derrota pro Palmeiras, especialmente se for expressiva, vai custar várias cabeças…

Então, gambazada, não vale nada é o caralho! Contra vocês, vale tudo sempre!

Pode preparar a sacolada pra amanhã!

Pena que, como os Gambá vão de Kombi pro Pacaembu, não vai dar pra ver aquela cena típica de quando eles enchem o Tobogã: é o retrato exato de Serra Pelada!

AVANTI PALESTRA!

Publicado em 05/02/2011, em Geral e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Sérgio Saleta

    Turiassu 12:30hs.
    Maluquinho, faltou falar que o Imparato dos 8×0 de 1933 era o “Trem Blindado”.
    Esses videos arrepiam, coitado desses gamba…e tem OTÁRIO que ainda quer discutir…
    Abs

  2. Nunca haverá um Palmeiras x Gambás que não vale nada !!! Amanhã estarei as 12h no clube pra começar o abastecimento hahahah escrevi sobre o Derby http://reportagemesporteclube.com.br/blog/2011/02/04/no-derby-nao-existe-razao-somente-emocao/

  1. Pingback: Tem Jogo – Gambá x Palestra – BR12 R. 06 |

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