Ugo Giorgetti falou e disse!

Ugo Giorgetti é cineasta. São de sua autoria Boleiros e Boleiros 2, filmes que todo fanático por futebol já assistiu, três vezes cada. A paixão pelo futebol é também alimentada por uma coluna que Ugo Girogetti assina, semanalmente, no Estado de São Paulo. Ah, esqueci de falar? Giorgetti é palestra.

Hoje assistindo o Famiglia Palestra TV, fiquei sabendo de um artigo que ele escreveu em sua coluna de sexta-feira passada, que o Tarso Gouveia fez questão de ler na íntegra. E que eu faço questão de reproduzir, também na íntegra, pois é o mais fiel retrato da realidade do que é torcer pelo Palmeiras:

Normalmente escrevo às sextas-feiras. Espero até o último instante por um fato novo que possa ser objeto de uma coluna. Desta vez escrevo logo pela manhã de quinta, depois de mais um espetáculo grotesco proporcionado pelo Palmeiras em pleno Pacaembu, perdendo para o Goiás diante de 37 mil atônitas pessoas.

O que me leva a escrever não é mais esse fracasso de um time que já foi uma Legião Romana e agora não passa de um Exército Brancaleone, se me permitem a citação cinematográfica. O que me move a escrever é a torcida. O Palmeiras não merece a torcida que tem. Nenhum clube, nem o Corinthians, ninguém tem uma torcida tão fiel. O Corinthians, nos seus famosos anos de seca, contou sempre com seus torcedores fiéis, apesar das derrotas, mas que quase nunca foram derrotas humilhantes, absurdas. Eram derrotas para o Santos de Pelé ou para o próprio Palmeiras de Ademir.

Equipe menor. O que diferencia o Palmeiras de hoje é que parece que todos no clube, diretores, treinador e jogadores (com a exceção de Kleber), estão convencidos de que o Palmeiras é uma equipe menor, que ninguém precisa temer. Na verdade eles é que são muito menores que o clube. Quando foi dada a saída do jogo contra o Goiás, a bola foi recuada e dois zagueiros ficaram trocando passes laterais por um tempo absurdo, até que alguém do Goiás perdeu a paciência e foi apertar, provocando o inevitável chutão. Nesse momento tive um horrível pressentimento. Um time que se entende como grande não joga com o resultado, joga com seu status de grande equipe. Tem obrigação de obedecer a multidão orgulhosa, que avaliza a grandeza do clube cantando e gritando, e partir para cima do adversário sem medo e sem covardia. Dirão que falta jogador. Sim, se o adversário fosse o São Paulo, o Santos, o Corinthians. Mas não o Goiás.

Só a torcida está convencida da grandeza do clube. Ela lota estádio e mais estádio, submetendo-se a decepções a que nenhuma outra se submeteria. O clube só continua grande por ação e graça de seus torcedores, e unicamente por causa deles. Nenhum time perdeu tanto em seu próprio campo, para adversários fracos, medíocres, estupefatos diante da vitória. E a torcida em um espetáculo comovente não desiste, não diminui, não se entrega de jeito nenhum.

Pra que arena? Essa torcida não precisa de uma arena, precisa de alguém que a represente no vestiário, no interior do clube, nas entranhas da associação, e que infunda moral e confiança ao time. E que exerça o sagrado autoritarismo de proibir expressamente táticas e atitudes que atentem contra a grandeza do clube. Há pouco saiu um livro chamado “Ponte Preta – a torcida que tem um time”, de André Pecora e Stephan Campineiro.

Sugiro que algum palmeirense de talento, o poeta Régis Bonvicino, por exemplo, escreva um livro, e já me ofereço para colaborar com o título: “Palmeiras – a torcida que não tem um time”. Talvez, aliás, ela nem precise mais. Talvez essa torcida magnífica tenha tomado para si, independentemente dos resultados, dos dirigentes e do resto, a defesa do nome e da grandeza desse clube. E, se alguma coisa puder mudar essa situação humilhante, ela virá dessa multidão que, sem arena, sob chuva, sol, e mal-acomodada, enche qualquer estádio para ver esse time perder.

Antero Greco escreveu sobre o mesmo assunto na sexta-feira, uma boa razão para eu mudar minha coluna. Não pude, desta vez não deu. Desculpe, Antero.

AVANTI PALESTRA!

Publicado em 28/11/2010, em Geral, Visão da Arquibancada e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Sérgio Saleta

    É por ai mesmo, até mesmo torcedores adversários admiram e questionam o por que de continuarmos a caminhada mesmo diante de tanta coisa que acontece com o nosso querido e sofrido Verdão. O Nandinho disse bem, nunca abandonar, ser palmeirense é algo diferente, somos um povo, temos raízes, o fanatismo transcende a racionalidade, talvez aquele vídeo muito bem feito da torcida Petrobrás ilustre bem. O que nos resta é acreditar e levar a fé adiante crente de que algo vai e tem de mudar para voltarmos aos dias de glória. Sempre estaremos contigo Verdão! Abs

  2. Infelizmente, pra nós, o texto apenas traduz uma verdade que duróu o século passado inteiro….lamentável…pare e pense, que eu, vc, Sala, Gui, enfim “aqueles de sempre” não conseguimos de forma alguma abandonar (ainda que essa palavra possa parecer pejorativa quando ligada a SEP por razões óbvias) esse time…

    Resumo isso de uma forma simples: “NÓS NÃO VIVEMOS DE TÍTULOS…VIVEMOS DE PALMEIRAS”

    Abç!

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