Vendetta!

Não me lembro muito bem do meu primeiro Palmeiras x Gambás. Não digo nem o primeiro no campo, esse eu lembro bem. Me refiro ao primeiro dérbi da minha memória.

Sendo palmeirense com pai corinthiano, só ia aos jogos quando meu tio e meu avô (culpados da minha palestrinidade) me levavam. E eles nunca me levavam neste jogo específico. Eu fui um dos poucos que, por exemplo, não esteve no Morumbi em 12 de junho de 93, para a minha eterna tristeza.

Só fui entender direito o que era um Palmeiras e Corinthians, no campo, depois de velho. Mesmo assim, do meu jeito criei um certo mito com esse jogo: pus na cabeça que contra os gambás eu não devia ir no campo. Não sei se porque eu daria azar ou por qualquer outro motivo, mas Palmeiras e Corinthians eu simplesmente não ia e pronto.

Assisti a final do Paulistão de 93, o brasileiro de 94, e os mata-mata das Libertadores de 99 e 2000 pela tv. Naquele ano de 99, finalmente deixei de ser o Zé poltrona e assisti a vitoria de 3×1 do Palmeiras sobre os gambás pelo Paulista.

Para os jogos pela Tv, eu tinha todo um ritual: comprava uma caixa de cerveja que eu iria tomar sozinho, pra depois chorar, fosse derrota ou vitoria. Junto a isso meio maço de cigarros.

Depois fui perceber que, no estádio, me sentia muito mais tranquilo do que na tv ou no radio. Talvez porque era confortante saber que aquele mar de gente ao meu lado estava sofrendo igual a mim, pulando e gritando até o pulmão secar, sentindo o coração parar de bater no instante imediatamente anterior à bola estufar a rede dos gambás e a terra começar a tremer…
Foi no Morumbi, por exemplo, num jogo para 22 mil gambás e 1,5 mil palmeirenses, que vi o Verdão, que vinha em péssima fase, atropelar os lixos e meter 3, dois gols do Animal e um de Osmar Cambalhota, num jogo que foi o primeiro de muitos espetáculos que o Mago daria contra os malditos.

Mas, VOLTANDO AO TEMA, o primeiro Palmeiras e Corinthians da minha memória não foi final de campeonato e não valeu título pro Palmeiras.  Foi uma semi-final de campeonato Paulista.

Em 27 de agosto de 1986, eu tinha apenas 08 anos. Minha memória não é perfeita sobre os fatos dessa partida, mas  a Internet ajuda nessas horas…

Pelo turno regular do campeonato paulista de 1986, o Palmeiras já havia trucidado os gambás, no dia 05/08, 5×1, fora o baile. O Palmeiras, indiscutivelmente, era mais time que a galinhada.

Pouco menos de 20 dias depois, o Palmeiras iria de novo pegar os Gambás, agora pelas semi-finais do torneio.

Dia 24 de agosto, no primeiro jogo, o juiz Ulisses Tavares da SIlva Filho (um Héber ou um PC de sua época) foi o grande “jogador” dos gambás, ao não marcar um penalti claro pro Palmeiras, anular um gol legítimo de Vagner Bacharel, validar um gol irregular dos gambás e ainda expulsar de campo, entre titulares e reservas, Edu, Zetti e Amarildo. Resultado: 1×0 pro Lixão e só faltou o safado do juiz comemorar  com a torcida dos banguelas.

No jogo de volta, o Palmeiras tinha que ganhar no tempo normal para jogar pelo empate na prorrogação (e tem gente que reclama dos regulamentos de hoje). E só deu Palmeiras o jogo inteiro, mas o gol não saía de jeito nenhum. O Lixão se defendia como podia de um adversário muito, mas muito melhor em campo, mesmo desfalcado de seu melhor jogador, Edu, que cumpria suspensão por obra do maldito do juiz do primeiro jogo. O primeiro tempo chegou ao fim sem que o placar tivesse sido aberto, para aumentar ainda mais a tensão do palmeirense.

No segundo tempo, era a trave que parecia não querer ajudar. Não uma, mas duas bolas foram parar na baliza e o gol do Palmeiras dava a impressão que não ia acontecer, o que seria uma verdadeira INJUSTIÇA. A torcida gambá, minoria dos 93 mil presentes, começava a ensaiar um aiaiaiai quando, aos 42 do segundo tempo, Jorginho cobra falta pra dentro da área, a bola sobra no meio da área para Mirandinha deviar, meio sem jeito, meio fraquinho, e abrir o placar, pra delírio da torcida verde: o jogo iria para a prorrogação e agora, ao Palmeiras bastava empatar para garantir uma vaga na final.

Mas a vingança haveria de ser completa contra o assalto do primeiro jogo: Logo que começou a prorrogação, aos 3 minutos, Mirandinha vem com a bola dominada, corta pro meio e toca na saída do frangueiro Carlos.

Tá bom já? Não, porque Éder, aos 13, em gol olímpico, deu números finais ao jogo, pra delírio do palmeirense, que botou o panetone abaixo!

Naquele dia os gambás aprenderam o verdadeiro significado da palavra “vendetta”. Foi uma vitória do bem contra o mal. Contra tudo e todos. Foi uma vitória digna de la Società Sportiva Palestra Itália. Foi uma vitória pra ficar marcada pra sempre na memória e no coração de um moleque de 08 anos que nunca tinha visto seu time ser campeão, e ainda não veria por mais 7 anos. Mas nada podia ser mais saboroso que aquela pura expressão da vingança, nem mesmo o título do Paulistão daquele ano, caso tivesse sido conquistado (coisas de Palmeiras…).

Moral da hsitória, meu paciente amigo palestrino? Para cada derrota injusta para a gambazada, sempre haverá uma vitória arrebatadora, vingativa e EXPRESSIVA do Palmeiras! Para cada vez que os lixos nos vencerem jogando futebolzinho e no apito amigo, não muito depois o Palmeiras irá aniquilar os fregueses, com crueldade e sangue nos olhos. Como em 27 de agosto de 1986. Como em 12 de junho de 1993, depois do gol porco. Como em 06 de junho de 2000, depois de um injusto 4×3 pela Libertadores. Como em tantas outras datas um tanto especiais pro torcedor do Palmeiras. Como sempre…

Odeio perder pros gambás. Realmente odeio. Mas só de pensar que a próxima vitória do Palmeiras será cruel, será a mais pura expressão da vingança que o palmeirense merece contra esse timinho da marginal sem número, já me animo tudo de novo. Será de derrubar técnico e presidente, como nos 8×0 de 1933. E será aquela pra macular pra sempre a alma dos gambás malditos, como nas Libertadores de 1999 e 2000. Quem sabe na Libertadores 2011?

Comecem a rezar, gambás!

AVANTI PALESTRA!

Publicado em 27/10/2010, em Geral e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Perfeito, Maluquinho…. ano que vem tem mais… e vai vir adicionado com o que eles mais gostam… de ferro na Liberta

    Abraços

    • Olha só quem finalmente deu as caras… É tudo nosso, Gui, essa gambazada não perde por esperar. A vitória deles foi tão cansada que a gambazada que a gente conhece nem tirou onda… Será que eles estão aprendendo a ver futebol? AHAHAH, duvido, esses gambás são muito ignorantes! Pra mim, nem queria esperar a Liberta do ano que vem. Imagina os caras terminando em quarto, no dia 05, e no dia 08, a gente elimina os caras da Libertadores sem mesmo eles terem jopgado. Ia ser perfeito. Que fim de ano seria esse, hein?

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