#2 – O manto de aço

Amigo Palmeirense,

Já vou começar tentando não cornetar este ou aquele jogador. Mas a cada dia que passa fico mais convencido de que vestir o manto verde não é pra qualquer um. Ou melhor, é para pouquíssimos. É de impressionar a quantidade de jogadores “boas promessas” nos clubes de origem que chegam ao Palmeiras e simplesmente não conseguem manter a mesma regularidade que os fez serem contratados.http://palestracampione.blogspot.com/2010_06_01_archive.html

Sem dar nome aos bois, é claro que uma parcela considerável não tem condições de vestir a nossa camisa. Mas o que assusta são os jogadores que são bons, que tem lugar em qualquer time do país e que, quando vestem o uniforme do Palmeiras, parecem entrar em campo com duas chuteiras esquerdas…

A impressão que fica é que a camisa pesa demais. Mais que qualquer outra. Pesa pros nossos adversários, que se borram de olhar entrar em campo o exército verde empurrado pela torcida incondicionalmente fanática. Exemplo claro disso foi o recente jogo contra o Vitória, pela Sulamericana, que o Palmeiras ganhou com a força do nome, na raça, na superação, na adversidade. Podia parar por aí, né?

Mas não pára. Porque a camisa pesa demais pros recém-chegados. Atletas que por vezes são bons e que simplesmente não conseguem acertar passes de 2 metros.Coisa pra deixar até o mais paciente palmeirense irritado com San Genaro…

Acho que muitos podem ser os motivos. A carência de títulos de expressão nos últimos anos faz com que a paciência de boa parte da torcida seja mínima. No segundo passe errado, já tem sujeito xingando e pedindo a cabeça do novato. Mas, se quer jogar em time grande, vai ter que segurar a onda, ter personalidade, não pode se abater.

Eu fui um dos poucos que lamentou a saída do Armero. Não, eu não sou louco. Sem dúvida, não é jogador do nível que o Palmeiras precisa. Mas não vou esquecer as lágrimas no jogo contra o Corinthians no Paulistão, depois de ser substituído, o pedido de desculpas público ao torcedor pelos lances infelizes, a promessa de que ia melhorar, a dança em forma de deboche e desabafo na Vila Belmiro… Era um cara de fibra. Jogava com o coração, errava muito mais por afobação e excesso de vontade, do que por conta da  ruindade, muitas vezes evidente. Só que era muito mais comprometido com o Palmeiras do que muito jogador que está aí hoje.

Não vou nem começar a falar da situação política do clube que, na minha opinião, também tem parcela considerável de responsabilidade no desempenho do time. Ambiente conturbado fora de campo também pesa nos jogadores em campo.

A verdade é que nem todo jogador se identifica com o clube como Kléber, Marcos e Pierre. Muitos vem pra cá e em pouco tempo só pensam em carro, mulher e balada e esquecem que são jogadores de futebol, né Marquinhos? [ops, eu não ia falar nomes…]

E é pra isso que a categoria de base tem que servir. Criar talentos, mas, principalmente, criar identidade do jogador com a tradição, com a história do Palmeiras e, especialmente com a responsa de vestir esse manto de aço que é a camisa do Verdão. Se já não é pra qualquer um torcer pelo Palmeiras, que se dirá de entrar em campo pra defender nossas cores?

Putz, esse post já está gigantesco… com o tempo, eu pego o jeito. Ou pelo menos assim espero.

Avanti Palestra!


Publicado em 14/09/2010, em Geral, Visão da Arquibancada e marcado como , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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